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Festa "Noites Analógicas" celebra música autoral com shows de Totonho e os Cabra e mais

Realizada pelas pernambucanas Rede Lula Córtex e gravadora Rozenbeat, a festa "Noite Analógicas" acontece nesta sexta-feira (10), no Brilho Cultural, no Centro do Recife

Diario de Pernambuco

Publicado: 09/07/2026 às 15:05

O artista Totonho e os Cabras venceu o Prêmio da Música Brasileira em 2026/Rafael Passos/Divulgação

O artista Totonho e os Cabras venceu o Prêmio da Música Brasileira em 2026 (Rafael Passos/Divulgação)

A Rede Lula Córtex (PE) e a gravadora Rozenbeat (PE) realizam nesta sexta-feira (10), às 21h, a primeira edição da festa “Noites Analógicas”. O evento independente acontece no Brilho Cultural, localizado no bairro de Santo Antônio, no Centro do Recife. A programação reúne shows ao vivo de Totonho e os Cabra (PB), banda Anjo Gabriel (PE), banda Abulidu (PE) e Buguinha Dub (PE), que convida a cantora Erica Natuza (PE) e o cantor Ras Maikoll (PE), do Reggae pelo Reggae (RpR).

Além das apresentações musicais, o público poderá aproveitar a “Rádio Nagulha”, uma discotecagem em vinil comandada pela equipe do Nagulha.Lab. (PE). No local, também estará garantida uma loja de discos de vinil com promoções e lançamentos, realizada em parceria com a “Nagulha.REC” (PE). Os ingressos comuns estão à venda no site da Shotgun por R$ 30 (meia-entrada) e R$ 60 (inteira). Vale destacar que a Rede Lula Córtex é liderada por Nemo Côrtes, produtor do Festival Lula Côrtes, enquanto a Rozenbeatprimeira gravadora cooperativa do Brasil focada na produção fonográfica analógica, é comandada por Marco da Lata, radialista, músico e integrante da Anjo Gabriel.

“Em ‘Noites Analógicas’, a celebração é a energia sonora pura, a partir de um sistema de som com propagação 100% analógica e monofônica, onde em sistemas de som o áudio mono usa apenas um canal de sinal, além da discotecagem 100% vinil. Válvulas e fitas se juntam a transistores e resistores, numa resistência-resiliência de fugir do mais do mesmo dos algoritmos digitais”, destaca Marco da Lata. O evento exalta a pureza do som tradicional e se coloca como uma alternativa orgânica na cena musical contemporânea.

“As quatro apresentações ao vivo e toda a celebração de ‘Noites Analógicas' são de tirar o fôlego, cair a chapa e derreter a cuca numa libertação emocionante. Assim como a realização, a produção é toda pernambucana”, declara Nemo Côrtes. Para quem compareceu ao Festival Lula Côrtes no último dia 29 de maio, há uma promoção exclusiva: o nome entra automaticamente na "lista mágica", garantindo ingressos a preço único de R$ 40 (sem taxa), com limite de até duas unidades por e-mail cadastrado.

Saiba mais sobre as atrações:

Totonho e os Cabras (PB)

Vencedor do Prêmio da Música Brasileira 2026, conquistado no mês de junho, o artista paraibano volta rapidamente ao Recife, onde apresentou-se, juntamente com uma banda, no Festival Lula Côrtes, em maio deste ano. Na ocasião, o show foi interrompido já perto da conclusão porque ele passou mal. Natural de Monteiro/PB, município do interior que fica no Cariri paraibano (Sertão), Totonho e os Cabras vem com a banda para “Noites Analógicas” apresentar na íntegra o álbum “Aí Dentu: Funk de Embolada e Hip Hop do Mato”, justamente a obra que ganhou o prêmio nacional na categoria “Melhor Lançamento de Funk”.

Este ano, Carlos Antonio Bezerra da Silva, conhecido artisticamente por Totonho e os Cabra, completa 62 anos de idade. Atualmente, a banda que acompanha o artista, que nasceu em 1964, é formada por Chico Limeira (contrabaixo), Ernani Sá (guitarra) e Nildo Gonzalez (bateria), todos musicistas da Paraíba. No “Aí Dentu: Funk de Embolada e Hip Hop do Mato”, lançado 20 anos depois da primeira obra do artista, une o coco de embolada, com origem na região Nordeste, o funk brasileiro e o universo do hip hop.

Com esse álbum, são cinco na discografia: "Sabotador de Satélite" (2005), "Coco Ostentação" (2016), "Samba Luzia Gorda" (2018) e "Canções Pra Macho Chorar e Roer Unhas" - Ao Vivo (2023) e “Aí Dentu: Funk de Embolada e Hip Hop do Mato” (2025).

Anjo Gabriel (PE)

Além de fazer o show de lançamento do seu mais recente disco de vinil, cuja primeira tiragem já se encontra esgotada e uma nova está a caminho, a banda Anjo Gabriel (criada em 2005) reproduz músicas de obras raras de artistas de Pernambuco e do Nordeste. Entre elas são interpretadas “Paêbirú - Caminho da Montanha do Sol”, do recifense Lula Côrtes (em memória) e do paraibano Zé Ramalho, e “Flaviola e o Bando do Sol”, do recifense Flaviola (em memória), ambas completaram 50 anos de existência. Os discos representam a “Udigrudi”, cena psicodélica nordestina que surgiu nos estados de Pernambuco e da Paraíba, de 1968 a 1976, e que até hoje é celebrada.

Com rock psicodélico, progressivo e instrumental, Anjo Gabriel tem em sua formação Marco Da Lata (contrabaixo e voz), Júnior Do Jarro (bateria e voz), Phillippi Oliveira (guitarra e voz) e Diego Drão (teclados e sintetizadores/efeitos), que algumas vezes divide a função com André Sette. O novo álbum leva o nome da banda, sendo lançado em 2025 pela gravadora Rozenbeat, que na ocasião fez a sua estreia. A discografia do grupo reúne três álbuns de estúdio, todos com edições analógicas e digitais: “O Culto Secreto de Anjo Gabriel” (2011), obra lançada em formato de vinil duplo, “Lucifer Rising” (2013) e “Anjo Gabriel” (2025). Com o álbum mais recente — 12 anos depois do lançamento do primeiro disco —, o grupo apresentou-se em São Paulo, na Virada Cultural, em maio passado. Em 2025, também com essa obra musical mais nova, fez shows no Sesc 24 de Maio, em São Paulo, e no CaRIOca ProgFestival, no Rio de Janeiro, que pela primeira vez teve uma atração da região Nordeste na programação.

Para a apresentação no centro do Recife, a banda convida a cantora Lua Paiva (artista autoral do município do Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife), e os percussionistas Arnaldo do Monte e Thulio Xambá, ambos da Abulidu. O poeta e músico Marconi Norado, de Garanhuns/PE (Agreste), também é lembrado pela banda no Brilho Cultural, por meio da releitura das canções da autoria deste artista (em memória). Ele está na história da psicodelia recifense da década de 1970, junto com a banda Ave Sangria, Flaviola, Zé Ramalho, Lula Côrtes, Lailson, Robertinho de Recife etc.

Abulidu (PE)

A banda afropernambucana toca músicas do álbum “Códigos Periféricos”, além de sons como “Abulidu” e “Fogo Cruzado”. Recentemente, em maio deste ano, fez shows em São Paulo pela primeira vez, nos espaços Centro Cultural Ocupação 9 de Julho, Casa de Francisca (parceria com o Som na Rural, de Pernambuco), ambas as apresentações com a participação da artista indígena e autoral Siba Puri (PE), e Casinha Da Dodô, no município de Piracicaba (interior). Atualmente sua formação é composta por Hélio Abulidu (cantor e compositor), Thúlio Xambá (percussão, efeitos e voz), Paulinho Folha (violão e voz), RØGÈR (guitarra), Arnaldo do Monte (percussão e efeitos) e Althan Thorpe (contrabaixo), que está no grupo — entrou em novembro de 2025 — substituindo Raphael César.

Formada por Hélio, da comunidade Suvaco da Cobra (Barra de Jangada, no município de Jaboatão dos Guararapes/PE), Abulidu também tem uma indicação ao Prêmio da Música Brasileira 2024, na categoria “Música Urbana” juntamente com Àttooxxá (BA) e Natiruts (DF). A banda, que existe desde 2019, prepara o segundo álbum musical da sua história, com produção do Casona (no bairro de Candeias, em Jaboatão dos Guarapes).

No Brilho Cultural, o grupo reencontra Buguinha Dub, produtor musical das músicas “Quilombo Urbano” (2021), “Abulidu” (2022) e “Os Boys de Baobá” (2022), do álbum “Códigos Periféricos” (2023) e da canção "Fogo Cruzado" (2025), a mais recente lançada, com participação da Barbarize (PE), além de realizações como técnico de som (P.A) de diversos shows da Abulidu, que inclusive faz uma homenagem a Buguinha no disco com a música “Celebrai”, expressão criada e usada por ele.

Buguinha Dub (PE)

Natural de Olinda e com dois álbuns de carreira solo lançados (“Vitrola Adubada”, de 2019, e “Aduba Duba Dub”, de 2023), o engenheiro de som leva sua “Vitrola Adubada” — bailão jamaicano analógico — para a celebração, apresentando produções independentes, de bandas e artistas autorais de sua curadoria e fazendo a mixagem ao vivo dos sons. Ele chama Erica Natuza (PE) e Ras Maikoll (PE) para o baile no Brilho Cultural. Buguinha é referência do universo da música Dub e reconhecido por atuar com artes análogicas, contribuindo diretamente nas obras musicais, canções e técnica de som (PA) de grupos de Pernambuco, como Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Cordel do Fogo Encantado, banda Eddie, Academia da Berlinda, Samba de Coco Raízes de Arcoverde, mestres Assis Calixto e Damião Calixto, N’Zambi, Jéssica Caitano, Abulidu, Barbarize, Eder O Rocha (percussionista do Mestre Ambrósio), Jorge Du Peixe, Mãe Beth de Oxum, Coco dos Pretos, Zeca do Rolete, Maracatu Estrela Brilhante do Recife, Toinho Melodia, Chinaina, Otto, Siba, Lirinha, entre outros e outras.

*Com informações da assessoria


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