Luana Flores une cultura popular e beats eletrônicos em disco com participações nacionais e internacionais
Após o sucesso do EP "Nordeste Futurista", Luana Flores lança o álbum "Cria do Sol Quente", inspirado na cultura popular nordestina e na identidade latino-americana
Publicado: 03/07/2026 às 06:00
Em "Cria do Sol Quente", Luana Flores projeta as raízes nordestinas para um diálogo com a América Latina (Foto: Gá-Olho)
A estreia de Luana Flores com o elogiado EP “Nordeste Futurista”, em 2021, foi um manifesto de que a cultura popular é, sim, contemporânea. A bagagem acumulada em festivais e intercâmbios musicais pavimentou o caminho para que a paraibana expandisse ainda mais as fronteiras da própria criação e do território que a inspira.
O resultado desse amadurecimento é “Cria do Sol Quente”, seu primeiro álbum completo, já disponível nas plataformas digitais. No disco, Luana transborda os limites regionais para projetar as raízes nordestinas no futuro de toda a América Latina.
A artista constrói sua música a partir do lugar de pesquisadora e brincante, fruto de dez anos de convivência direta com as mestras e as manifestações do coco de roda na Paraíba. A vivência dela no Quilombo do Ipiranga, sob a influência da Mestra Ana, deu a régua e o compasso para sua sensibilidade.
“Estou valorizando a tradição, mas de um jeito novo, me firmando nesse lugar de quem brinca o reisado e o coco”, conta ela em entrevista ao Diario. Em 2016, entrou no grupo feminino Coco das Manas, onde mergulhou fundo nas raízes do ritmo tradicional antes de projetá-lo para o futuro.
Como documentarista de sua trajetória, Luana Flores refinou a capacidade de traduzir questões de gênero, sexualidade e memória em uma linguagem que ecoa as urgências do presente. "A estrada fortaleceu a minha percepção do meu próprio trabalho”, explica.
Superior às seis músicas do trabalho anterior, “Cria do Sol Quente” entrega um repertório de nove faixas que consolidam o projeto como o mais robusto em tempo de execução e profundidade temática. “Lancei EP, singles, mas poder lançar um álbum com uma história maior para contar é algo inédito. Me sinto mais fortalecida para ocupar esse lugar a partir de agora”, celebra Luana.
Embora tenha sido pensado em 2023 como uma coletânea de remixes, o novo disco tomou rumos mais profundos conforme novas camadas desabrocharam na cantora. A obra ganhou musculatura com a coprodução de Ramiro Galas e Chico Correa, além da participação de instrumentistas da Paraíba e do Rio Grande do Norte, unindo rabecas, beats eletrônicos, pífanos e percussão em um só ecossistema que expande os horizontes da música popular através de um manifesto guiado pelo afeto, pela ancestralidade e pelo desejo de experimentar.
É o que se ouve, por exemplo, em “Guerreira de Lança Deluxe”. Com a colaboração internacional da argentina Chocolate Remix, a faixa mostra que os idiomas se tornam coadjuvantes diante de uma profunda integração de sonoridades e propósitos. “Faz um tempo que estou flertando com essa música que se desloca do Brasil, pensando na América Latina e afirmando nossa latinidade”, diz Luana.
Depois de abrir o álbum com “Encantarya Remix” (feat.Cátia de França), ela costura mais encontros nas faixas “Coragem na Fé” (feat.Ramiro Galas), “Siga Cygana” (feat.LUUL) e “Alumeia” (feat.Juliana Linhares).
O reencontro com a pernambucana Jéssica Caitano em “Ladainha do Mato” marca um dos momentos mais simbólicos de “Cria do Sol Quente”. As duas repetem a parceria iniciada no single “Reza” (2020), que foi crucial para a projeção nacional da artista paraibana. “Ela é como uma madrinha para mim”, revela Luana Flores.
O trio se completa com a participação da violinista potiguar Tiquinha Rodrigues, coroando uma colaboração interestadual que exala a força da cultura popular. “Uma vez, tocando com a Tiquinha e a Gabi da Pele Preta, a gente brincou que essa união é o coração do Nordeste. Esse coração segue vibrando no meu disco”, destaca.
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