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'Fjord' confirma favoritismo e leva Palma de Ouro do 79º Festival de Cannes

Drama 'Fjord' se torna a segunda Palma do diretor romeno Cristian Mungiu e russo 'Minotaur' fica com o Grand Prix, enquanto prêmios de Direção, Ator e Atriz foram divididos; confira o resultado do Festival de Cannes

André Guerra - Enviado Especial

Publicado: 24/05/2026 às 07:15

Cristian Mungiu leva sua segunda Palma de Ouro pelo drama 'Fjord'/Thibaud MORITZ / AFP

Cristian Mungiu leva sua segunda Palma de Ouro pelo drama 'Fjord' (Thibaud MORITZ / AFP)

CANNES - O tempo esquentou na reta final da 79ª edição do Festival de Cannes, na Riviera Francesa. E a curiosidade de todos pelo resultado também. O maior encontro mundial do cinema chegou ao fim no último sábado, com a cerimônia de premiação ocorrendo tradicionalmente no Grand Théâtre Lumière, no Palais des Festivals. Presente ao longo de todos os 12 dias do evento, o Diario acompanhou em tempo real o clima de uma das mostras competitivas mais disputadas dos últimos anos, marcada por divisões de voto.

Confirmando a força do seu tema e da abordagem, 'Fjord' foi o grande vencedor da Palma de Ouro. Dirigido pelo romeno Cristian Mungiu, que venceu o prêmio máximo em 2007 com '4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias', o drama foi um dos mais aclamados da edição, levando também o prêmio especial da Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci) — concedido em 2025 a 'O Agente Secreto'. No longa, Sebastian Stan e Renate Reinsve vivem um casal cujos filhos são retirados de sua tutela sob acusação de abuso físico, o que leva a uma investigação muito mais longa do que imaginavam.

Os longos debates levantados pelo trabalho de Mungiu justificam plenamente a Palma de Ouro. Propondo perguntas difíceis sobre os limites da intervenção estatal na vida doméstica e, ao mesmo tempo, questionando a fronteira entre liberdade religiosa e opressão, 'Fjord' deverá ser bastante comentado nos próximos meses. Com lançamento garantido nos Estados Unidos pela Neon (mesma distribuidora dos seis últimos vencedores da Palma), o filme já está entre as principais apostas para o Oscar do ano que vem.

Presidido pelo diretor sul-coreano Park Chan-wook, o júri concedeu ainda o Grand Prix (ou “Grande Prêmio”), tido como o segundo lugar, ao elogiado thriller russo 'Minotaur', dirigido por Andrey Zvyagintsev. Seco e sombrio, o longa, sobre um influente empresário que desconfia da traição da esposa, correlaciona a ruína da instituição familiar com o estado de tensão e descrença moral do seu país.

O Prêmio do Júri ficou com o alemão 'The Dreamed Adventure', drama criminal contemplativo da diretora Valeska Grisebach, que mostra uma arqueóloga nas fronteiras da Grécia, Turquia e Bulgária tentando ajudar um antigo amigo em uma missão que pode envolver mafiosos do seu passado.

Já o francês 'Notre Salut', dirigido por Emmanuel Marre, se destacou na categoria de Melhor Roteiro. A trama gira em torno da relação complexa entre um homem de meia-idade e seu filho, que busca trilhar um caminho próprio.

PRÊMIOS DIVIDIDOS

É raro haver divisão em mais de um prêmio na competição do Festival de Cannes, mas, este ano, isso aconteceu em três importantes categorias. O troféu de Melhor Direção foi compartilhado entre a dupla Los Javis, de 'La Bola Negra', e Pawel Pawlikowski, de 'Fatherland', o que sugere uma falta de consenso do júri.

Tudo o que o épico espanhol tem de pulsante e melodramático, narra em três linhas do tempo uma história de homossexualidade devastada e silenciada pela Guerra Civil. O filme de Pawlikowski tem de austero e objetivo. Vencedor do Oscar por 'Ida' em 2013, o polonês se baseia agora na jornada do escritor alemão Thomas Mann retornando à Europa após a Segunda Guerra e, ao lado de sua filha Erika Mann, tendo de se confrontar com as perdas e as memórias do exílio.

Outro longa de guerra com romance LGBTQIA+ que marcou a premiação, o belga 'Coward', dirigido por Lukas Dhont, levou Melhor Atuação Masculina. O prêmio, no entanto, foi dividido entre os dois atores principais: Emmanuel Macchia e Valentin Campagne, que interpretam dois soldados à frente de apresentações teatrais nos bastidores do front da Primeira Guerra.

Já a Palma de Melhor Interpretação Feminina ficou dividida entre as duas principais atrizes do japonês 'All of a Sudden', dirigido por Ryusuke Hamaguchi. Virginie Efira e Tao Okamoto prevaleceram com o delicado drama sobre a amizade poderosa entre uma diretora de um asilo e uma dramaturga em suas últimas semanas de vida.

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