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Filme investiga falência da McDonald's em Olinda a partir de retrato político bem-humorado da cidade

O filme "Os Arcos Dourados de Olinda", sobre a falência de unidade da McDonalds na cidade em 2003, ganha sessão especial no Cinema São Luiz neste domingo (26), às 18h, com a participação da ministra Luciana Santos.

Allan Lopes

Publicado: 25/04/2026 às 13:00

Curta-metragem

Curta-metragem "Os Arcos Dourados de Olinda" narra falência do McDonald's em Olinda (Foto: Divulgação)

Entre as muitas lendas do imaginário pernambucano, circula a história de que Olinda teria sido a primeira cidade do mundo a ver uma unidade do McDonald’s falir, em 2003. Valendo-se de um humor sagaz, o diretor pernambucano Douglas Henrique investiga esse mito no curta-metragem “Os Arcos Dourados de Olinda”, que terá sessão especial no Cinema São Luiz, no próximo domingo (26), às 18h, com entrada gratuita. A programação também inclui, como filme de abertura, “BBC Olinda”.

Será a segunda exibição do filme na sala mais emblemática de Pernambuco. A primeira ocorreu no ano passado, durante a Janela Internacional do Recife. Na ocasião, no entanto, Douglas não esteve presente. “É o sonho de qualquer realizador estreante. Com toda a equipe do filme presente, vai ser um momento muito especial de celebração para a gente”, conta ele, em entrevista ao Diario. Mais recentemente, o filme também foi exibido no Cine Taquary, em Toritama, no Agreste pernambucano.

Com base em cerca de 20 fitas VHS digitalizadas e depoimentos de ex-funcionários do McDonald’s da época, o diretor estrutura a narrativa a partir de uma leitura sociopolítica, ancorada nas eleições de 2000 para a prefeitura de Olinda, que levaram Luciana Santos (PCdoB) a se tornar a primeira prefeita eleita no país desde a redemocratização por uma legenda comunista.

A partir de um viés assumidamente irônico, o filme sugere que a eleição teria representado uma ameaça ao símbolo máximo do capitalismo norte-americano, usando essa provocação para narrar a falência do McDonald's em Olinda. Nesse embate, também surge um componente megalomaníaco presente na forma como a história foi contada ao longo dos anos.

“Achei muito engraçado essa megalomania de sermos os primeiros em coisas tão diferentes”, explica. A sessão de domingo contará com a presença de Luciana, hoje ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, que verá o filme pela primeira vez.

Idealizado em 2021 e desenvolvido como trabalho de conclusão de curso, o projeto já ultrapassou a etapa acadêmica e rendeu a Douglas mais do que a aprovação no curso de Cinema da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

A obra conquistou o prêmio principal de melhor documentário internacional no 23º Bogoshorts, na Colômbia, além de ter sido exibida no Festival de Havana, em Cuba. No Brasil, também se destacou ao vencer a categoria da Competição Brasileira de Curtas-Metragens e acumular os prêmios de Melhor Direção, Melhor Montagem, Prêmio Canal Brasil e Prêmio Mistika.

Com esse percurso, o projeto se tornou o primeiro filme de um estudante da UFPE, realizado ainda durante a graduação, a alcançar projeção internacional. ”Geralmente, as pessoas fazem filmes depois de uma trajetória mais consolidada. Eu sempre achei interessante a ideia de realizar um filme para a própria universidade, como forma de retribuir à instituição que me formou, de maneira gratuita”, celebra.

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