Acusado de matar manicure em motel de Paulista será julgado pelo Tribunal do Júri
Djalma Diego Oliveira Deodato, de 25 anos, será julgado pelo Tribunal do Júri pelo assassinato de Júlia Ramily Duarte, de 20 anos, morta por asfixia em setembro de 2025
Publicado: 23/10/2026 às 16:01
Júlia foi encontrada morta em um motel em Paulista (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
A Justiça de Pernambuco decidiu que Djalma Diego Oliveira Deodato, de 25 anos, será julgado pelo Tribunal do Júri pelo assassinato da manicure Júlia Ramily Duarte, de 20 anos, encontrada morta em um quarto de motel em Paulista, no Grande Recife, em 23 de setembro de 2025.
A decisão de pronúncia foi proferida nesta sexta-feira (23), após audiência de instrução na Vara Regional do Tribunal do Júri de Paulista, Abreu e Lima e Igarassu.
Júlia foi encontrada morta em uma suíte do estabelecimento, com sinais de esganadura e violência sexual. Segundo o laudo do Instituto de Medicina Legal (IML), a causa da morte foi asfixia mecânica. Djalma está preso preventivamente desde 24 de setembro de 2025, no Centro de Observação e Triagem Criminológica Professor Everardo Luna (Cotel).
A pronúncia é a decisão judicial que reconhece a existência de elementos suficientes para submeter o acusado a julgamento pelo Tribunal do Júri, mas não representa uma condenação.
Durante a audiência de instrução, foram ouvidas 13 testemunhas indicadas pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). O réu também foi interrogado por videoconferência.
Com o encerramento dos prazos para recursos e a confirmação da pronúncia, o processo seguirá para a etapa prevista no artigo 422 do Código de Processo Penal. Nessa fase, acusação e defesa poderão apresentar as testemunhas que pretendem ouvir durante o julgamento, solicitar diligências e anexar documentos. Depois, a Justiça organizará a pauta para definir a data da sessão do júri.
Investigação
De acordo com a investigação da Polícia Civil, Djalma chegou ao motel com Júlia por volta das 4h do dia 23 de setembro. Cerca de três horas depois, às 7h08, ele foi até a portaria, pagou R$ 60 pelo quarto e deixou o estabelecimento sozinho.
Em depoimento à polícia, funcionários relataram que o homem informou que ainda havia uma pessoa no quarto, mas que precisaria sair e retornaria depois. Ele não voltou ao local.
O corpo da jovem foi encontrado por uma camareira, que entrou na suíte após não obter resposta às batidas na porta. Segundo o depoimento da funcionária, Júlia estava sobre a cama, coberta por um lençol, com um travesseiro sobre o corpo. Havia marcas de sangue no quarto.
A perícia identificou sinais de luta corporal. De acordo com o perito criminal Victor Sá Leitão, a jovem perdeu algumas unhas postiças durante o confronto e apresentava um corte nos lábios e marcas de esganadura.
Câmeras de segurança registraram a entrada e a saída do suspeito. A investigação identificou a motocicleta utilizada por ele, que havia sido alugada de um homem de 40 anos. O veículo possuía rastreador, que auxiliou os policiais a localizar Djalma.
Versão do acusado
Em interrogatório na delegacia, Djalma afirmou que havia saído de casa durante a madrugada para comprar cocaína em Pau Amarelo, em Paulista, onde teria encontrado Júlia. Segundo sua versão, os dois consumiram drogas juntos e decidiram ir ao motel.
Ele declarou que não sabia informar o nome da jovem e que, depois de consumirem cocaína, os dois dividiram um comprimido de Rivotril. Djalma afirmou que se lembra de ter deitado com Júlia para dormir, mas disse não se recordar do que aconteceu em seguida.
Segundo o depoimento, ele teria acordado com a jovem ensanguentada sobre seu corpo, coberto a vítima com um lençol, se limpado e deixado o estabelecimento. Djalma negou ter brigado com ela e alegou que estava sob efeito de drogas.
O acusado também admitiu ter retirado R$ 30 da bolsa da vítima para pagar parte da hospedagem, completando o valor por meio de uma transferência Pix em seu próprio nome.
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Familiares e amigos de Júlia contestaram a versão apresentada por ele. Uma amiga relatou que as duas estavam em uma festa em Pau Amarelo e decidiram ir embora por volta das 4h. Elas solicitaram corridas por aplicativo, mas Júlia não chegou ao destino. Ao tentar contato com a jovem, a amiga descobriu que ela havia iniciado uma corrida, sem que houvesse confirmação de sua chegada.
Moradora de Rio Doce, em Olinda, Júlia trabalhava como manicure e divulgava seus serviços nas redes sociais.