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Campanha do TJPE busca incentivar adoção de crianças e adolescentes com deficiência em Pernambuco

Segundo a psicóloga da Comissão de Adoção do TJPE, Mirela Torres, crianças e adolescentes com deficiência são o público com maiores dificuldades para serem adotadas

Bartô Leonael

Publicado: 28/09/2026 às 07:00

O pequeno Christopher com os pais Mateus e Leonardo /Foto: Cortesia

O pequeno Christopher com os pais Mateus e Leonardo (Foto: Cortesia)

A espera ansiosa e angustiante por uma adoção, que se intensifica quando se trata de crianças e adolescentes com deficiência, fez com que a Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja-PE) do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) desenvolvesse ao longo desse mês o Setembro Verde, campanha que visa mobilizar pretendentes para adotarem menores que fazem parte desse público específico, que sofre com baixa procura.

Segundo o TJPE, a campanha tem o objetivo de chamar a atenção da população sobre a importância da adoção de crianças e adolescentes com deficiências, facilitando o encontro entre pretendentes e menores disponíveis para adoção, além de demonstrar as dificuldades em garantir a convivência familiar e até mesmo comunitária.

“Historicamente, percebemos que o principal público que tem dificuldades para serem adotados são as crianças e adolescentes com deficiência. Essa dificuldade não se limita à adoção, o próprio apadrinhamento afetivo, que é aquele em que o menor sai com um responsável aos fins de semana, também sofre com a baixa procura. Por isso, a campanha veio realmente para divulgar os perfis das crianças e dos adolescentes com deficiência e ampliar as chances deles serem adotados”, explicou a psicóloga da Ceja, Mirela Torres.

De acordo com o TJPE, uma das principais barreiras no processo de adoção de jovens com deficiência são o estigmas sociais, falta de informação e o receio dos pretendentes em relação às necessidades específicas de cada criança ou adolescente.

Dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) apontam que Pernambuco tem atualmente 26 crianças com deficiência disponíveis para adoção, sendo 16 com deficiência intelectual, quatro com física e seis com intelectual e física.

Desse total, 15 também estão na busca ativa do Programa Ciranda Conviver, que é uma ferramenta do TJPE paralela ao SNA, que tem o objetivo de dar viabilidade, por meio de publicações na internet e nas redes sociais, às histórias das crianças e adolescentes que estão esperando por adoção.

Apesar dessas alternativas de divulgação, Mirela Torres afirma que a procura por menores com deficiência ainda é baixa.

“Enquanto menores que não têm nenhum tipo de deficiência levam cerca de dois meses para serem adotados dentro do nosso programa, crianças e adolescente com deficiência levam a vida para serem acolhidas por essas famílias. Temos um exemplo de uma adolescente que desde 2018 está no nosso programa e não tem nenhum padrinho que viste ou alguma família que adote”, explicou Mirela Torres.

Ainda segundo a psicóloga da Ceja, ver outras crianças e adolescentes saindo dos abrigos faz com que os menores com deficiência percam a esperança de conseguirem ser adotadas por alguma família.

“Em alguns casos, por ver outras crianças serem adotadas e eles permanecerem no abrigo, alguns menores com deficiência ficam com uma expectativa muito baixa, pois acham que não vão ter esse lugar em alguma família".

Acolhimento das famílias

Por outro lado, segundo Mirela Torres, as crianças adotadas, como é o caso de Christopher Cavalcante, de 8 anos, demonstram um semblante mais alegre e progridem melhor no desenvolvimento de habilidades e aprendizado.

“A adoção representa uma nova chance para as crianças e os adolescentes terem uma família e crescer em um ambiente saudável, sem nenhum tipo de violência ou negligência. Quando a adoção ou até o próprio apadrinhamento acontece, é possível ver o desenvolvimento intelectual, emocional e físico dos menores”, destacou Mirela Torres.

Em entrevista ao Diario de Pernambuco, um dos pais de Christopher Cavalcante afirmou que, mesmo com um ano da adoção, percebe-se uma grande evolução na criança, que tem deficiência intelectual moderada, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD).

“Christopher está muito bem e feliz. Ela vai pra escola, faz acompanhamento multiprofissional e, mesmo com pouco tempo, já percebemos uma grande evolução. Ele é uma criança carinhosa, inteligente e que se desenvolve a cada dia”, explicou o enfermeiro Mateus Cavalcante.

Além da evolução da criança, Mateus afirma que houve uma mudança positiva na rotina de vida dele e do seu companheiro.

“Mudou tudo, nossa casa ganhou mais risadas, alegria e movimento. Adaptamos nossa rotina para atender todas as necessidades dele, fazê-lo sentir-se parte da família foi nossa prioridade e é incrível como o amor que ele tem recebido de nossa família tem transformado a vida dele”, ressaltou.

Exemplos como esse podem fazer com que novos pretendentes passem a buscar a adoção ou o apadrinhamento afetivo de crianças e adolescentes com deficiência.

“Não tenham medo, o que essas crianças mais precisam é de amor e oportunidades. A idade não define o amor que a criança tem pra dar, assim como a deficiência não define quem eles são. Christopher tem nos ensinado a olhar o mundo de outra forma, comemorar pequenas conquistas e a enfrentar um obstáculo por vez”, finalizou Mateus Cavalcante.

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