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Trem usado de Belo Horizonte apresenta problema durante testes no Metrô do Recife

CBTU afirma que composição ainda não foi liberada para operação comercial e que circulação em testes serve justamente para identificar e corrigir falhas

Adelmo Lucena

Publicado: 10/08/2026 às 21:48

Problema afetou rotina dos passageiros do metrô/Foto: Reprodução/Whatsapp

Problema afetou rotina dos passageiros do metrô (Foto: Reprodução/Whatsapp)

Um dos trens usados adquiridos pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) para reforçar a Linha Sul do Metrô do Recife apresentou problemas nesta segunda-feira (10), durante a fase de testes da composição.

Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE), Thiago Mendes, o trem apresentou uma falha no freio de estacionamento pela manhã, foi recolhido para avaliação e, após retornar à circulação, voltou a apresentar problema no período da tarde.

Já a CBTU informou que a composição ainda está em fase de testes e não foi liberada definitivamente para a operação comercial. Segundo a companhia, a circulação experimental tem justamente o objetivo de permitir que sejam identificados problemas e realizados os ajustes necessários antes da entrada efetiva do trem na operação regular.

Para Thiago, o episódio fortalece as críticas feitas pelo sindicato desde o anúncio da compra das composições. Ele afirma que a adaptação de trens antigos, provenientes de outro sistema metroviário, exige cuidados específicos porque as características dos veículos e da infraestrutura do Recife são diferentes.

“Os trens não são iguais. Cada trem tem uma característica, um jeito de operar, um sistema e uma tecnologia diferentes”, afirmou o sindicalista. Segundo ele, a composição estaria operando no Recife sem um sistema de sinalização que, na avaliação do sindicato, seria adequado às condições da rede local.

Thiago também questiona o sistema de controle automático de trens, conhecido como ATC. “Tem um equipamento fundamental para a segurança das composições, que é o ATC. E esse trem não tem o ATC adequado para rodar aqui”, declarou.

A afirmação é contestada pela posição da CBTU de que os veículos estão passando por uma etapa de testes e ajustes antes da liberação definitiva. A companhia já havia informado que as equipes do Recife passaram por treinamento para operação e manutenção das composições, ainda em Belo Horizonte, justamente para preparar os profissionais para a incorporação dos veículos ao sistema pernambucano. 

Compra emergencial de R$ 60 milhões

Os trens fazem parte de uma aquisição de seis composições da Série 900, modelo Cobrasma, que estavam em processo de desativação pelo Metrô de Belo Horizonte. 

O investimento anunciado pela CBTU é de R$ 60 milhões, equivalente a cerca de R$ 10 milhões por composição. Segundo a estatal, o valor inclui transporte, comissionamento, revisão de peças sobressalentes, manutenção e operação assistida durante seis meses, além dos treinamentos das equipes.

A compra foi apresentada pela CBTU como uma medida emergencial para evitar uma paralisação da Linha Sul. Documentos do próprio governo federal apontam que a frota atualmente utilizada no ramal enfrenta elevado grau de obsolescência.

Um plano de trabalho da CBTU registra que a frota CISM tem cerca de 40 anos de operação e que, das oito composições existentes, a confiabilidade operacional fazia com que, em média, apenas duas estivessem disponíveis para circulação. O documento estima ainda a possibilidade de paralisação integral dessa frota até abril de 2027. 

A chegada dos trens de Belo Horizonte começou em maio e o primeiro veículo chegou ao Recife naquele mês e passou por etapas de montagem e testes. Em julho, a composição realizou uma viagem experimental com passageiros na Linha Sul.

A previsão divulgada anteriormente pela CBTU era de que os seis trens fossem incorporados gradualmente ao sistema, com as entregas ocorrendo entre maio e setembro e a entrada das seis composições em operação prevista para outubro ou novembro, após os ajustes técnicos. 

Linha Sul chegou a parar por falta de trens

A urgência da recomposição da frota ficou evidente em 29 de junho, quando a Linha Sul precisou ser suspensa porque a CBTU informou não dispor da quantidade mínima de trens necessária para manter a operação com segurança, regularidade e intervalos compatíveis com a demanda.

Na ocasião, a companhia afirmou que o problema estava diretamente relacionado à redução da frota disponível. A situação ocorreu semanas depois de uma pane na rede aérea que também havia interrompido a Linha Sul. 

O ramal voltou a enfrentar problemas poucos dias depois. Em 2 de julho, uma nova falha na rede aérea, entre as estações Porta Larga e Prazeres, interrompeu a circulação. O serviço foi retomado na manhã seguinte, após quase 15 horas de paralisação.

Em julho, a Linha Centro também teve a circulação interrompida após a CBTU identificar o furto de aproximadamente três metros de cabo no pontilhão próximo à Estação Werneck. O problema afetou o sistema de sinalização e provocou a suspensão temporária dos ramais de Camaragibe e Jaboatão. 


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