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SAÚDE

Mulher dá à luz em Fernando de Noronha, onde partos são evitados há 22 anos

Gravidez só foi confirmada quando paciente chegou ao hospital em trabalho de parto avançado, inviabilizando a remoção

Adelmo Lucena

Publicado: 26/07/2026 às 19:01

Fernando de Noronha/Divulgação

Fernando de Noronha (Divulgação)

Uma mulher deu à luz na tarde deste domingo (26) no Hospital São Lucas, em Fernando de Noronha, em um parto de emergência que interrompeu um período sem nascimentos na ilha, onde os partos são evitados desde 2004 por falta de estrutura de maternidade e UTI neonatal. O último parto registrado no arquipélago havia ocorrido em 2021, também em caráter emergencial.

De acordo com a Superintendência de Saúde de Fernando de Noronha, a paciente procurou atendimento médico com queixas de dor lombar irradiando para a região pélvica. Durante a avaliação inicial, ela negou a possibilidade de estar grávida. No entanto, diante da suspeita clínica, a equipe realizou um exame de Beta HCG, que confirmou uma gestação de 41 semanas.

Na sequência, os profissionais constataram que a mulher já estava em trabalho de parto em fase avançada, o que impossibilitou sua transferência para uma maternidade no Recife. O parto foi realizado pela equipe multiprofissional do Hospital São Lucas, seguindo os protocolos assistenciais.

Segundo a administração da ilha, a mãe, que reside temporariamente em Fernando de Noronha e trabalha em uma pousada, e o recém-nascido passam bem e permanecem sem intercorrências clínicas.

Como medida preventiva, o Grupamento Tático Aéreo (GTA) foi acionado e ficou de sobreaviso para realizar a transferência da mãe e do bebê ao Recife, caso houvesse necessidade. O plano de voo previa uma aeronave decolando de Fortaleza, passando por Fernando de Noronha e seguindo para a capital pernambucana, onde o desembarque seria realizado no Hangar da Weston.

Partos são evitados desde 2004

Desde 2004, a administração da ilha adota um protocolo para que gestantes sejam encaminhadas ao continente antes do parto. A medida ocorre porque o Hospital São Lucas não dispõe de maternidade nem de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, estrutura considerada necessária para atender eventuais complicações obstétricas e neonatais.

Pelo protocolo, as moradoras deixam a ilha ainda durante a gestação para dar à luz em maternidades do Recife, com despesas custeadas pela administração distrital. A política já foi alvo de debates entre moradores e autoridades ao longo dos últimos anos.

O último nascimento registrado em Fernando de Noronha ocorreu em outubro de 2021, quando uma turista de Maceió entrou em trabalho de parto após chegar à ilha com 32 semanas de gestação. Antes disso, o arquipélago havia registrado um parto em 2018, depois de 12 anos sem nascimentos, quando uma moradora que desconhecia a gravidez deu à luz em casa.

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