Metrô do Recife: Linha Sul é reaberta após trens serem liberados de manutenção
Segundo a CBTU Recife, a Linha Sul foi reaberta às 12h desta segunda-feira (29)
Publicado: 29/06/2026 às 13:24
Paralisação na manhã desta segunda (29) ocorre em meio ao avanço do envelhecimento da frota do metrô (Foto: Rafael Vieira/DP)
Após passar sete horas sem operação devido à falta de trens, a Linha Sul do Metrô do Recife foi reaberta nesta segunda-feira (29) após composições serem liberadas dos serviços de manutenção.
Segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), que publicou um aviso em suas redes sociais, a reabertura aconteceu às 12h desta segunda (29).
Ainda de acordo com a CBTU, a paralisação ocorreu devido à indisponibilidade da quantidade mínima de trens necessária para manter a operação com intervalos compatíveis com a demanda de passageiros, situação que não garante o funcionamento do serviço com segurança e regularidade.
A suspensão impactou o deslocamento de milhares de pessoas nesta segunda (29), fazendo com que o Grande Recife Consórcio de Transporte montasse um esquema especial para tentar atender a demanda de passageiros prejudicados.
A paralisação da Linha na manhã desta segunda (29) ocorreu em meio ao avanço do envelhecimento da frota do metrô.
Segundo o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro/PE), que emitiu nota após o fechamento da Linha Sul, o motivo da paralisação é o “descaso dos governos federal e estadual” com o Metrô do Recife.
A CBTU afirma que, caso não haja reposição dos trens, a frota poderá entrar em colapso até 2027, uma vez que os veículos mais antigos estão chegando ao limite de sua vida útil e têm registrado falhas com maior frequência.
Operação e chegada dos trens usados
O cronograma de operação do trem seminovo adquirido pela CBTU Recife está atrasado.
O primeiro dos seis trens comprados junto ao Metrô BH ainda não entrou em operação por problemas com a documentação, segundo a companhia.
A composição, que estava prevista para entrar em funcionamento até o último dia 20 de junho, teria demorado cerca de 10 dias para ir à oficina para passar por montagem e testes.
A composição foi entregue em 20 de maio. O trem tem 24 anos de uso, não possui ar-condicionado, e teve um custo de R$ 10 milhões.
Já com relação ao segundo trem, ele chegou na última sexta (26), conforme informou a CBTU. O Diario de Pernambuco entrou em contato para solicitar detalhes sobre a composição e aguarda retorno.
Projeto
O projeto inicial repassado pela CBTU previa a entrega de trens em meados de junho, julho e agosto. Para setembro, está prevista a chegada de duas composições.
A CBTU ainda negocia a ampliação do acordo com Belo Horizonte para receber mais cinco composições, totalizando 11 trens transferidos para o Recife.
A aquisição de trens aconteceu em função do movimento para evitar o colapso na Linha Sul do Metrô do Recife, que, segundo a CBTU, pode entrar em colapso total em 2027.
Possíveis irregularidades nas compras do trens
Em meio à chegada dos trens seminovos, o Tribunal de Contas da União (TCU) está apurando possíveis irregularidades na compra dos seis trens usados do metrô de Belo Horizonte pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) do Recife.
A aquisição, no valor de R$ 60 milhões, será investigada por determinação do ministro Jorge Oliveira, relator do caso. A decisão foi tomada na última quarta-feira (24).
A denúncia questiona, principalmente, o valor pago pelas composições ferroviárias da Série 900. Segundo o denunciante, que teve a identidade preservada, os mesmos veículos teriam sido negociados anteriormente por cerca de R$ 4,2 milhões.
O documento também aponta que uma empresa privada teria oferecido à CBTU sete composições por R$ 28 milhões.
Apesar disso, a estatal teria fechado negócio com a concessionária Metrô BH pela compra de seis trens ao custo de R$ 60 milhões.
Além do suposto sobrepreço, a denúncia cita as condições dos veículos. De acordo com o denunciante, as composições têm aproximadamente 40 anos de uso, já foram retiradas de circulação em Belo Horizonte e podem apresentar elevado desgaste, além de tecnologias consideradas ultrapassadas.
O denunciante também solicitou a concessão de uma medida cautelar para suspender a negociação.
No entanto, o ministro Jorge Oliveira negou o pedido, sob o entendimento de que a interrupção da compra poderia comprometer o funcionamento do sistema metroviário do Recife.
Na decisão, o relator destacou que o metrô da capital pernambucana enfrenta problemas estruturais e sofre com a escassez de trens.
Segundo o TCU, o sistema opera com baixo nível de qualidade e a atual frota deve atingir o fim da vida útil até abril de 2027.
Diante desse cenário, a aquisição dos veículos usados foi considerada uma alternativa emergencial para manter o serviço em funcionamento até a futura concessão do sistema.