Metrô do Recife: operação de trem de Belo Horizonte está atrasada
Primeiro trem seminovo que chegou em 20 de maio ainda não entrou em operação por um problema com a documentação, segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU)
Publicado: 29/06/2026 às 11:13
Primeiro trem vindo de Belo Horizonte para fortalecer Metrô do Recife chega em Pernambuco (Foto: Marina Torres/DP Foto)
O cronograma de operação do trem seminovo adquirido pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) Recife está atrasado. A informação foi confirmada pela empresa nesta segunda (29), em meio à parada da Linha Sul por falta de composições.
O primeiro dos seis trens comprados junto ao Metrô BH ainda não entrou em operação por problemas com a documentação, segundo a CBTU Recife. A composição, que estava prevista para entrar em funcionamento até o último dia 20 de junho, teria demorado cerca de 10 dias para ir à oficina para passar por montagem e testes.
A composição foi entregue em 20 de maio. O trem tem 24 anos de uso, não possui ar-condicionado, e teve um custo de R$ 10 milhões.
Já o segundo trem chegou na sexta (26), segundo a CBTU. O Diario de Pernambuco entrou em contato para solicitar detalhes sobre a composição e aguarda retorno.
Projeto
O projeto inicial repassado pela CBTU previa a entrega de trens em meados de junho, julho e agosto. Para setembro, está prevista a chegada de duas composições.
A CBTU ainda negocia a ampliação do acordo com Belo Horizonte para receber mais cinco composições, totalizando 11 trens transferidos para o Recife.
A aquisição de trens aconteceu em função do movimento para evitar o colapso na Linha Sul do Metrô do Recife, que, segundo a CBTU, pode entrar em crise em 2027.
Paralisação
A Linha Sul do Metrô do Recife foi paralisada na manhã desta segunda (29), por falta de trens, segundo a CBTU. O estado das composições já utilizadas na linha não foi repassado pela empresa.
A corporação relatou que a paralisação ocorreu devido à indisponibilidade da quantidade mínima de trens necessária para manter a operação com intervalos compatíveis com a demanda de passageiros.
Em comunicado, a CBTU informou que a Linha Sul foi fechada porque a frota disponível não é suficiente para garantir o funcionamento do serviço com segurança e regularidade.
A suspensão ocorre em meio ao avanço do envelhecimento da frota do metrô. Ainda de acordo com a CBTU, a operação da Linha Sul deve ser retomada ainda nesta segunda-feira (29).
Denúncia
O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma investigação relativa a possíveis irregularidades na compra de seis trens usados do metrô de Belo Horizonte pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) do Recife,
A apuração foi instaurada na última quarta-feira (24) e questiona, principalmente, o valor pago pelas composições ferroviárias da Série 900. Segundo o denunciante, que não teve a identidade revelada, os mesmos veículos teriam sido negociados anteriormente por cerca de R$ 4,2 milhões.
Diante da repercussão do caso, a CBTU enviou nota ao Diario afirmando que todo o processo de compra das composições foi corretamente conduzido e aprovado. A empresa disse, ainda, que está à disposição para prestar esclarecimentos aos órgãos competentes. Confira o comunicado na íntegra:
“A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) informa que todo o processo de compra das composições junto ao Metrobh foi devidamente instruído com toda a documentação necessária, observando os princípios da legalidade, economicidade e vantajosidade.
Todo o procedimento foi aprovado em todas as instâncias de governança interna da CBTU e externa junto ao ministério das cidades.
A CBTU esclarece ainda que prestará todos os esclarecimentos eventualmente solicitados pelo Tribunal de Contas da União ou por quaisquer outros órgãos competentes”.
Detalhes
O documento também aponta que uma empresa privada teria oferecido à CBTU sete composições por R$ 28 milhões. Apesar disso, a estatal teria fechado negócio com a concessionária Metrô BH pela compra de seis trens ao custo de R$ 60 milhões.
Além do suposto sobrepreço, a denúncia cita as condições dos veículos. De acordo com o denunciante, as composições têm aproximadamente 40 anos de uso, já foram retiradas de circulação em Belo Horizonte e podem apresentar elevado desgaste, além de tecnologias consideradas ultrapassadas.