CBTU do Recife teria comprado trens do metrô de BH de forma irregular
Tribunal de Contas da União vai apurar denúncia de possível sobrepreço. Composições adquiridas têm cerca de 40 anos de uso
Publicado: 27/06/2026 às 12:02
O primeiro trem vindo de BH chegou em maio deste ano (Foto: Marina Torres/DP Foto)
O Tribunal de Contas da União (TCU) apura possíveis irregularidades na compra de seis trens usados do metrô de Belo Horizonte pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) do Recife. A aquisição, no valor de R$ 60 milhões, será investigada por determinação do ministro Jorge Oliveira, relator do caso. A decisão foi tomada na última quarta-feira (24).
A denúncia questiona, principalmente, o valor pago pelas composições ferroviárias da Série 900. Segundo o denunciante, que teve a identidade preservada, os mesmos veículos teriam sido negociados anteriormente por cerca de R$ 4,2 milhões.
O documento também aponta que uma empresa privada teria oferecido à CBTU sete composições por R$ 28 milhões. Apesar disso, a estatal teria fechado negócio com a concessionária Metrô BH pela compra de seis trens ao custo de R$ 60 milhões.
Além do suposto sobrepreço, a denúncia cita as condições dos veículos. De acordo com o denunciante, as composições têm aproximadamente 40 anos de uso, já foram retiradas de circulação em Belo Horizonte e podem apresentar elevado desgaste, além de tecnologias consideradas ultrapassadas.
O denunciante também solicitou a concessão de uma medida cautelar para suspender a negociação. No entanto, o ministro Jorge Oliveira negou o pedido, sob o entendimento de que a interrupção da compra poderia comprometer o funcionamento do sistema metroviário do Recife.
Na decisão, o relator destacou que o metrô da capital pernambucana enfrenta problemas estruturais e sofre com a escassez de trens. Segundo o TCU, o sistema opera com baixo nível de qualidade e a atual frota deve atingir o fim da vida útil até abril de 2027. Diante desse cenário, a aquisição dos veículos usados foi considerada uma alternativa emergencial para manter o serviço em funcionamento até a futura concessão do sistema.
Procurada, a Metrô BH informou, por meio de nota, que as informações sobre o processo de venda das seis composições da Série 900 devem ser solicitadas diretamente à Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). A reportagem do G1 também entrou em contato com a CBTU, mas não recebeu resposta até a última atualização desta matéria.
Documentos
Apesar de negar o pedido de suspensão da compra, o Tribunal de Contas da União determinou que a CBTU apresente, no prazo de 15 dias, toda a documentação relacionada à negociação, incluindo o contrato, ordens de compra, comprovantes de pagamento e o processo administrativo completo.
Após o envio do material, o TCU analisará os documentos para verificar se houve irregularidades na aquisição das composições e se o negócio atendeu aos princípios da legalidade, da economicidade e do interesse público.
Com informações do G1