Caso Esther: 1º audiência acontece nesta quinta-feira (18) em São Lourenço da Mata
Menina de 4 anos foi encontrada morta dentro de uma cacimba; três réus respondem ao processo e audiência marca nova etapa do caso
Publicado: 18/06/2026 às 10:14
Esther Isabelly foi encontrada dentro de uma cacimba, localizada em uma residência no bairro do Pixete, em São Lourenço da Mata, no dia 21 de outubro (Foto: Sandy James/DP Foto)
A audiência de instrução e julgamento do caso que apura a morte da menina Esther Izabelly Pereira da Silva, de 4 anos, teve início na manhã desta quinta-feira (18), na Vara Criminal da Comarca de São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife.
A informação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). No processo, figuram como réus Fernando Santos de Brito, Uilma Ferreira dos Santos e Fabiano Rodrigues de Lima.
O processo segue tramitando em segredo de Justiça.
A advogada da família de Esther, Carolina Aguiar, afirmou que os familiares aguardam a audiência com expectativa de que os responsáveis sejam responsabilizados.
“Estamos confiantes de que a justiça começará a ser feita no dia de hoje. Acreditamos no trabalho da Polícia Civil, bem como no Poder Judiciário do Estado de Pernambuco”, declarou.
Réus respondem por homicídio, ocultação de cadáver e fraude processual
Em dezembro de 2025, os três acusados foram denunciados pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Fernando Santos de Brito responde pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Segundo o MPPE, ele é apontado como responsável pela morte da criança.
Na denúncia, o Ministério Público atribuiu ao acusado as qualificadoras de meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, além do crime de ocultação do corpo.
Já Fabiano Rodrigues de Lima e Uilma Ferreira dos Santos foram denunciados pelos crimes de ocultação de cadáver e fraude processual.
De acordo com o MPPE, ambos teriam contribuído para dificultar as investigações após a morte da menina.
Na época, a pedido do Ministério Público, a Justiça manteve a prisão preventiva de Fernando Santos de Brito. Já as prisões de Fabiano Rodrigues de Lima e Uilma Ferreira dos Santos foram convertidas em medidas cautelares diversas, enquanto o processo segue em tramitação.
Investigações apontaram autoria da morte
O inquérito policial foi concluído após meses de investigação. Conforme o relatório final da Polícia Civil, Fernando Santos de Brito teria sido o responsável pela morte de Esther Izabelly, contando com o auxílio de Uilma Ferreira dos Santos para ocultar o corpo.
Os dois negam participação no crime.
O relatório final da investigação foi encaminhado ao Ministério Público no início de dezembro, mas retornou à Polícia Civil para a realização de diligências complementares consideradas indispensáveis para o oferecimento da denúncia.
Segundo as investigações, Fabiano Rodrigues de Lima também teria participado de ações destinadas a dificultar a apuração dos fatos após a morte da criança.
Apesar da conclusão do inquérito e da denúncia formalizada pelo MPPE, a motivação do crime ainda não foi esclarecida pelas autoridades.
Relembre o caso
O corpo de Esther Izabelly Pereira da Silva foi encontrado na tarde de 21 de outubro de 2025, submerso em uma cacimba localizada no quintal de uma residência na comunidade onde a menina vivia com a família, em São Lourenço da Mata.
A estrutura possuía cerca de 3,7 metros de profundidade e estava fechada por uma placa de concreto.
De acordo com a Polícia Civil, a causa da morte foi traumatismo craniano. Um preservativo foi encontrado próximo ao corpo, mas a perícia descartou a ocorrência de violência sexual por não identificar indícios compatíveis com estupro.
Segundo a delegada Juliana Bernart, responsável pelas investigações, a dinâmica do crime teve início no dia anterior à localização do corpo.
Na ocasião, Esther estava em casa com a mãe e os irmãos quando familiares e amigos participavam de uma confraternização com consumo de bebidas alcoólicas. Fernando Santos de Brito, vizinho da família, também estava no local.
Em determinado momento da tarde, as crianças pediram autorização para brincar em um campo de futebol próximo à residência. Horas depois, Fernando deixou o imóvel afirmando que iria comprar cerveja.
No início da noite, a mãe percebeu o desaparecimento da filha e iniciou buscas com a ajuda de familiares e moradores da comunidade. Um dos irmãos da menina relatou ter visto Esther sendo levada por um homem e apontou a residência de Fernando.
Moradores foram até o imóvel e encontraram o suspeito sem roupas. Ele alegou que havia levado uma mulher do bar para manter relações sexuais.
Ainda conforme as investigações, após o desaparecimento da criança, Uilma Ferreira dos Santos, companheira de Fernando, foi até a residência e iniciou a retirada de móveis durante um protesto organizado por moradores da comunidade. Em seguida, ela teria realizado uma limpeza no imóvel com a ajuda de Fabiano Rodrigues de Lima.
O desaparecimento mobilizou familiares, amigos e moradores da comunidade durante cerca de 21 horas de buscas.
O corpo de Esther foi localizado na tarde do dia 21 de outubro dentro da cacimba da casa onde viviam Fernando e Fabiano, encerrando as buscas e dando início às investigações que resultaram na denúncia dos três acusados.