Assassinatos de jovens de 15 a 19 anos cresceu 5,1% em Pernambuco em 2024, diz Atlas
Pernambuco registrou 412 homicídios de adolescentes em 2024, aponta Atlas da Violência
Publicado: 26/05/2026 às 20:59
Pernambuco é o terceiro estado com piores indicadores de violência letal do país (Foto: Arquivo/Agência Brasil)
Pernambuco registrou 412 homicídios de adolescentes entre 15 e 19 anos em 2024, segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado nesta terça-feira (26).
Os 412 homicídios representam um aumento de 5,1% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados 392 casos. Os números colocam essa faixa etária no centro da violência letal no estado.
O levantamento contabilizou 28 assassinatos de crianças entre 5 e 14 anos no estado no mesmo período, evidenciando o cenário de violência que ainda atinge a população infantojuvenil.
O Atlas mostra que os adolescentes seguem concentrando os maiores índices de violência letal no país, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Em todo o Brasil, 4.570 jovens de 15 a 19 anos foram assassinados em 2024, mantendo essa faixa etária como a principal vítima da violência homicida brasileira.
O Atlas destaca ainda que as armas de fogo seguem como principal instrumento utilizado nesses crimes. Em âmbito nacional, 84,1% dos homicídios de adolescentes ocorreram com uso desse tipo de armamento em 2024.
Segundo os pesquisadores do Atlas, fatores como desigualdade social, vulnerabilidade juvenil, evasão escolar, expansão do crime organizado e circulação de armas de fogo ajudam a explicar a permanência desses índices.
Os dados do levantamento também permitem comparar a evolução dos homicídios ao longo da última década. Entre crianças de 5 a 14 anos, Pernambuco apresentou redução de 34,9% no número de assassinatos em comparação com 2014. Ainda assim, o Atlas ressalta que a violência contra crianças e adolescentes permanece como um dos principais desafios da segurança pública e da proteção social no país.
Além dos homicídios, o estudo chama atenção para o crescimento da violência não letal contra crianças e adolescentes no Brasil. O Atlas aponta aumento das notificações de violência física, psicológica, sexual e casos de negligência ao longo dos últimos dez anos.
Entre crianças, os números absolutos são menores, mas ainda considerados preocupantes pelos pesquisadores. Nacionalmente, o Brasil registrou 179 homicídios de crianças de 0 a 4 anos em 2024. Já na faixa entre 5 e 14 anos, foram contabilizados 320 assassinatos.
Causas
Segundo o levantamento, o ambiente doméstico continua sendo o principal local de violência contra crianças pequenas. O levantamento mostra que 67,3% dos casos registrados contra crianças de 0 a 4 anos ocorreram dentro da residência. Entre crianças de 5 a 14 anos, o percentual chega a 65,9%.
Na adolescência, porém, o perfil da violência muda. Embora os casos dentro de casa ainda sejam significativos, cresce a incidência de ocorrências em vias públicas e contextos relacionados à criminalidade urbana.
O Atlas aponta que a violência extrafamiliar se torna mais frequente nessa faixa etária devido à maior exposição dos adolescentes aos espaços públicos e à dinâmica da violência urbana.
O estudo também mostra diferenças no tipo de violência sofrida em cada fase da vida. Enquanto a negligência aparece com maior frequência entre crianças pequenas, adolescentes são mais atingidos por agressões físicas e homicídios.
Para os autores do Atlas da Violência, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas integradas voltadas à proteção da infância e juventude, envolvendo ações nas áreas de segurança pública, educação, assistência social e saúde para prevenção da violência e redução da vulnerabilidade social.