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Secretária da Mulher do Cabo é indiciada por forjar tentativa de homicídio e afastada do cargo

De acordo com a Polícia, o cruzamento de imagens e as contradições em depoimentos foram cruciais para concluir a investigação a respeito da suposta tentativa de homicídio registrada na PE-28, estrada de acesso à praia de Gaibu

Cadu Silva

Publicado: 18/05/2026 às 13:58

Secretária da Mulher do Cabo é indiciada por forjar tentativa de homicídio e afastada do cargo
/Foto: Reprodução/redes

Secretária da Mulher do Cabo é indiciada por forjar tentativa de homicídio e afastada do cargo (Foto: Reprodução/redes)

A secretária executiva da Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho, identificada como Aline Melo, foi indiciada pela Polícia Civil de Pernambuco após a investigação concluir que uma suposta tentativa de homicídio registrada na PE-28, estrada de acesso à praia de Gaibu, teria sido forjada pelos próprios envolvidos.

Os detalhes da investigação foram apresentados no final da manhã desta segunda-feira (18), durante coletiva de imprensa com a delegada Myrthor Freitas, titular da 14ª Delegacia de Polícia de Homicídios (14ªDPH) e o delegado Eduardo Tabosa.

Como foi


Segundo a delegada, o caso começou a ser apurado no dia 27 de março, quando a secretaria e o motorista procuraram a delegacia relatando terem sido alvo de disparos de arma de fogo enquanto seguiam de carro pela PE-28.

De acordo com o relato apresentado inicialmente à polícia, o motorista e a secretária haviam saído do trabalho com destino a Gaibu. Antes de acessar a PE-28, eles passaram por uma obra, mas disseram que não desceram do veículo nem tiveram contato com ninguém.

O motorista afirmou que percebeu uma motocicleta com faróis de LED tentando ultrapassar o carro pelo acostamento. Em seguida, segundo ele, foram efetuados disparos de arma de fogo contra o veículo.

“Ele disse que ignorou achando que seria uma pessoa doida na estrada. Mais na frente escutou o primeiro disparo e alertou a passageira para que se abaixasse”, detalhou a delegada.

Imagens mudam rumo da investigação

Inicialmente, a Polícia Civil passou a buscar imagens de câmeras de segurança para tentar identificar a motocicleta envolvida no suposto atentado. Porém, durante o aprofundamento das diligências, investigadores encontraram um detalhe considerado crucial.

Uma câmera instalada em uma empresa no início da PE-28 registrou uma motocicleta com as mesmas características descritas pelo motorista parada no acostamento. Logo depois, o carro onde estavam as supostas vítimas também parou no local.

Segundo a polícia, os ocupantes do veículo e o motociclista interagiram durante cerca de 17 segundos.

“A equipe conseguiu imagens de câmeras de segurança de trechos por onde poderiam ter passado tanto a moto quanto o carro. Em uma dessas imagens, captou a moto parada na banqueta e, logo em seguida, o veículo onde estavam as vítimas também parou e eles interagiram durante 17 segundos”, explicou Myrthor Freitas.

Durante as investigações, policiais receberam informações de que o pai do motorista possuía uma motocicleta semelhante à registrada nas imagens.

Ele foi chamado para prestar depoimento e, inicialmente, negou ter passado pela PE-28 no dia dos fatos. Segundo a delegada, o homem afirmou que apenas saiu de casa para ir até a delegacia após receber uma ligação do filho relatando a tentativa de homicídio.

No entanto, após ser confrontado com as imagens, ele mudou a versão e admitiu que era o motociclista flagrado pelas câmeras. De acordo com o depoimento, o encontro teria ocorrido para a entrega de “canetinhas emagrecedoras”, que seriam levadas para Gaibu.

“Questionamos por que eles não mencionaram esse encontro antes. Poderiam ter dito apenas que pararam e conversaram. Não é um detalhe que se esquece”, afirmou a delegada.

Contradições da investigação

Enquanto o motorista optou por permanecer em silêncio após ser confrontado com as imagens, acompanhado por advogados, a secretária inicialmente afirmou não lembrar da parada.

Depois, segundo a polícia, ela mudou a versão e disse ter percebido apenas que o motorista havia “pegado ou entregue algo”.

Questionada se reconhecia o motociclista, ela respondeu negativamente.

Para a polícia, as contradições fortaleceram a suspeita de que o caso havia sido arquitetado pelos próprios envolvidos. “A partir disso, as investigações se iniciaram nesse sentido”, afirmou o delegado Eduardo Tabosa.

Apesar da conclusão de que o atentado foi forjado, a Polícia Civil confirmou que os disparos realmente aconteceram. O carro passou por perícia e teve duas marcas de tiros constatadas.

Segundo a investigação, os disparos teriam sido efetuados pelo pai do motorista, que pilotava a motocicleta.

A delegada destacou ainda que a secretária Aline Melo, também correu risco de ser atingida.

“As fotos da perícia mostram que os disparos passaram muito próximos da janela onde ela estava. Um errinho ali poderia ter atingido a passageira”, disse Myrthor Freitas.

Ainda segundo a delegada, o motociclista assumiu o risco ao efetuar disparos enquanto pilotava sozinho, no escuro e pelo acostamento da rodovia.

De acordo com o delegado Eduardo Tabosa, o trecho da PE-28 onde ocorreram os disparos possui pouca iluminação, acostamento estreito e ausência de câmeras de videomonitoramento.

“No momento exato dos disparos não há câmera de videomonitoramento. A rodovia tem baixa iluminação, o que dificultou as investigações”, explicou.

Imagens analisadas pela polícia também mostram a motocicleta e o carro retornando pouco tempo depois do suposto atentado.

Segundo a investigação, a diferença entre as passagens dos veículos era de apenas três a quatro minutos. Para os investigadores, o curto intervalo reforçou a existência do complô entre os envolvidos.

Aline Melo e o motorista do veículo foram indiciados, segundo a polícia, pelos crimes de fraude processual, falsa comunicação de crime e denunciação caluniosa. Já o pai do condutor foi indiciado por fraude processual e tentativa de homicídio.

O inquérito policial já foi concluído e encaminhado ao Ministério Público de Pernambuco, que deverá analisar o caso e decidir sobre eventual denúncia à Justiça.

O que diz a Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho

Em nota, a Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho informou que tomou conhecimento, nesta segunda-feira, sobre o caso envolvendo a então secretária da Mulher, Aline Melo.

Diante dos fatos apresentados e enquanto as investigações seguem em andamento pelas autoridades competentes, a gestão determinou o afastamento da então secretária e do motorista citado no caso.

A Prefeitura reforça que acompanhará o andamento das investigações e, caso haja confirmação de conduta irregular e responsabilização dos envolvidos, adotará todas as medidas administrativas cabíveis.

A gestão municipal reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito à população.

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