Crise no STF trava investimentos e gera clima de desânimo na economia, avalia especialista
Para o economista Paulo Feldmann, a falta de punição para os envolvidos no caso do Banco Master pode causar uma desmoralização da Corte, piorando o cenário para o investidor e afastando o capital estrangeiro
Publicado: 11/09/2026 às 18:39
Feldmann analisou os desdobramentos da recente crise do STF (Divulgação )
A crise institucional que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF), longe de ser apenas um embate político, começa a projetar sombras sobre o cenário econômico brasileiro. A sequência de decisões monocráticas conflitantes, o vazamento de mensagens e as investigações ligadas ao Banco Master criaram um ambiente de incerteza que preocupa especialistas. Para o economista Paulo Feldmann, professor da USP (Universidade de São Paulo) e da FIA Business School, o principal impacto econômico da crise não está na reação imediata do mercado financeiro, mas sim no "clima de desânimo" que trava investimentos produtivos.
Em entrevista ao Diario, Feldmann analisou os desdobramentos da crise, o comportamento do mercado e o risco de uma desmoralização do STF, que, segundo ele, seria "péssima para a democracia e para a economia".
Apesar da escalada da crise, com o plenário do STF marcado para analisar na próxima terça-feira (15) o relatório da Polícia Federal sobre o Banco Master, Feldmann avalia que, até o momento, os efeitos econômicos concretos foram "quase nada". O economista aponta que o país está em compasso de espera, aguardando as punições para os envolvidos no caso.
A Questão Central: Punição e Desmoralização
Para Feldmann, o ponto de inflexão que pode transformar o ruído institucional em uma crise econômica real é a falta de punição. "Se os ministros envolvidos com Vorcaro não forem punidos, teremos crise institucional. Aí o mercado vai ficar pessimista", alerta o economista.
Nesta semana, o mercado financeiro reagiu com otimismo, com o Ibovespa em alta e o dólar em queda. O economista vê essa reação como um reflexo de que o mercado está "apostando só no resultado eleitoral e ignorando o resto", um comportamento que ele descreve como a "esquizofrenia brasileira".
No entanto, Feldmann destaca que a verdadeira crise institucional se dará se houver uma desmoralização do STF. "Se não houver punição, haverá desmoralização do STF e isso pode criar um clima de desânimo nos investimentos", afirma.
Risco para Investimentos e Capital Estrangeiro
O clima de desânimo apontado por Feldmann é prejudicial porque afeta as decisões de investimento de médio e longo prazo, mesmo que o mercado financeiro de curto prazo continue reagindo de forma otimista. Para o economista, o investidor estrangeiro, embora esteja "acostumado com a esquizofrenia brasileira", tem um limite de tolerância para esse tipo de instabilidade.
"A falta de punição afeta os ativos. Caso o STF se desmoralize, podemos dizer que o país perdeu mais uma oportunidade de mostrar que é uma democracia para valer", lamenta o especialista.
O economista ressalta que essa percepção de risco institucional não se restringe apenas às empresas que estão na Bolsa. Feldmann avalia que o custo do crédito e o câmbio de exportação são afetados, e que as empresas de todo o país, inclusive as de Pernambuco e do Nordeste, sentem do mesmo jeito.
O Desafio de Edson Fachin
O plenário do STF, convocado pelo presidente Edson Fachin para analisar o relatório da Polícia Federal com mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes, é visto como um momento crucial para o restabelecimento da confiança institucional. Feldmann minimiza a importância de confrontos abertos no plenário, ressaltando que o fundamental é o resultado final: a punição.
A sessão extraordinária será um teste para o Judiciário. A Corte terá de demonstrar que as investigações seguem critérios jurídicos e não obedecem a disputas políticas. O desfecho dessa sessão será observado não apenas pelo meio político e jurídico, mas também por investidores que buscam sinais de que o Brasil conseguirá superar a instabilidade e resgatar a previsibilidade, que é fundamental para a retomada do crescimento econômico.
- Zanin pede a Fachin acesso a dados brutos do celular de Vorcaro
- DF quer acesso aos dados fiscais do Master e do fundo Reag para pedir restituição de rombo no BRB
- Presidente do STF dá 24 horas para Mendonça retirar sigilo total do Caso Master
- Zema celebra quebra parcial de sigilo do caso Master; Caiado diz que medida "escancarou" o escândalo
- Dino levanta novas suspeitas sobre Mendonça e indica que há mais por vir