Roubo de cabos de cobre mobiliza debates e cobranças por fiscalização na Câmara do Recife
Durante aprovação de pacotes de requerimentos, vereadores criticaram prejuízos causados por furtos na capital e cobraram soluções para fiação aérea e descarte irregular de resíduos
Publicado: 16/06/2026 às 20:10
Roubo de fios e cabos foram debatidos no plenário (Foto: Câmara de Vereadores do Recife)
O furto de fios de cobre e a depredação do patrimônio público foram debatidos na Câmara Municipal do Recife, nesta terça-feira (16). Durante a reunião plenária, o tema ganhou força a partir de um conjunto de 38 requerimentos apresentados pelo vereador Gilson Machado Filho (Podemos). Diversos parlamentares participaram das discussões. No final, as proposições foram aprovadas.
Ao defender suas propostas, Gilson Machado Filho relatou episódios recentes de vandalismo na capital, como o furto de um semáforo e o desmonte da iluminação das novas quadras de tênis da praia do Pina, na Zona Sul.
“A Prefeitura fez um belíssimo trabalho nas quadras, ficaram lindas, mas uma parcela da população foi lá e roubou todo o cabeamento de fios das quadras novas”, disse. “É preciso agir com o máximo de força possível, punir essas pessoas e mantê-las presas até que elas tenham a mínima capacidade de se reintegrar à sociedade”, concluiu.
Em aparte, o vereador Luiz Eustáquio (PSB) afirmou que os furtos de cabos são feitos por usuários de drogas. “A pessoa está presa às drogas. Então faz tudo, vai arriscar a vida, fazer qualquer coisa para ter o dinheiro da droga, rouba os fios e prejudica uma grande parcela da sociedade. É preciso identificar e prender quem compra esses cabos”, declarou.
O parlamentar ainda citou os impactos causados pelos furtos à infraestrutura urbana e aos serviços públicos. Como exemplo, citou a situação da Via Mangue, que ficou sem iluminação após ter a fiação roubada.
A preocupação com a segurança nas áreas turísticas e de lazer também foi comentada por Rodrigo Coutinho (Republicanos). Ele lamentou ver os novos equipamentos da Avenida Boa Viagem sem iluminação devido ao furto de fios.
Rodrigo ainda defendeu que a polícia atue firmemente contra a depredação do patrimônio público. “A gente precisa agir com firmeza, fazer com que a polícia cumpra o papel de pegar esses meliantes que estão roubando fios, para que possam responder por depredação de patrimônio público”, declarou.
Ao comentar o requerimento, o vereador Rinaldo Júnior (PSB) apontou que o prejuízo causado pelos furtos atinge diretamente os equipamentos públicos e gera novos custos para a Prefeitura do Recife, que precisa realizar reparos e reposições da infraestrutura danificada.
O parlamentar afirmou que o município dispõe da Lei nº 19.240/2024, de sua autoria, que prevê a cassação do alvará de funcionamento de estabelecimentos flagrados comprando cobre proveniente de furto. "O roubo de fios de cobre continua causando prejuízos à cidade. É preciso agir contra quem compra esse material e mantém essa cadeia criminosa funcionando", disse.
Fiação exposta e risco de acidentes nas vias públicas
Além do problema dos furtos, também foram analisados os requerimentos que tratavam de fiação exposta e de recolhimento de lixo.
O vereador Felipe Alecrim (Novo) destacou o requerimento nº 5164/2026, que solicita à Secretaria de Ordem Pública e Segurança do Recife a retirada ou regularização de fios velhos e pendurados na Estrada do Barbalho, na Iputinga.
“A fiação exposta traz, inclusive, consequências de morte para os recifenses. Quantas vezes não vimos pessoas morrerem por choque elétrico [nas vias públicas]? Volta e meia, temos notícias de problemas por choque elétrico. Temos um projeto de lei importante que pede que as concessionárias retirem o excesso de fiação. Mas isso precisa de fiscalização. Muitas cidades já fazem o embutimento da fiação, para evitar os choques”, disse o parlamentar.
O acúmulo de lixo nas calçadas foi outro ponto debatido a partir do requerimento nº 5170/2026, focado no bairro da Torre. “É preciso que haja descarte adequado de lixo e se estabeleça multa para quem descarta de forma irregular. A gestão poderia premiar o cidadão que denunciar e comprovar quem faz o descarte irregular”, afirmou Felipe Alecrim.
Gilson Machado Filho também reforçou as críticas à infraestrutura urbana, citando fiação exposta e esgoto a céu aberto constatados em visita ao Mercado Público de Afogados. “Se a Vigilância Sanitária bater naquele mercado, vai interditar. É esgoto a céu aberto, teto caindo, fiação exposta. Tem lixo em todos os locais”, disse.
Já a vereadora Cida Pedrosa (PCdoB) defendeu os avanços do município na área de limpeza urbana, mencionando a diversificação da frota de coleta (com caminhões específicos para vias largas, carros banguês para vielas e coleta seletiva). “Mas a questão do lixo não se muda de uma hora para outra, é uma questão que precisa de educação e precisaria de pelo menos 20 anos para mudar”, ponderou.