"Nesse caso, está tudo errado", diz o ex-ministro do STF, Marco Aurélio Mello
Ex-decano do STF, Marco Aurélio Mello disse que Supremo não teria competência para julgar o caso do Banco Master e alegou perplexidade com os últimos acontecimentos envolvendo a Corte
Publicado: 23/01/2026 às 20:00
Ele repete algo que não fecha. No fim do julgamento eram só três ministros não indicados por presidentes petistas. A nomeação é técnico-política e se demonstrou institucional. Como eu sempre digo, não se agradece com a toga' - Marco Aurélio Mello, ministro do STF. Foto: Fellipe Sampaio/STF/SCO (Fellipe Sampaio/STF/SCO)
Iniciado no final de 2025, o episódio da liquidação do Banco Master vem provocando uma série de tensões econômicas e políticas, da Faria Lima ao Supremo Tribunal Federal (STF), com desdobramentos quase que diários. Nesta sexta-feira (23), o ex-decano do STF, Marco Aurélio Mello, alegou a incompetência do STF para julgar o caso e declarou perplexidade frente aos últimos acontecimentos envolvendo à imagem do Supremo.
Dentre os últimos acontecimentos envolvendo o caso do Master, estão comentários referentes à competência do STF em julgar o caso, assim como especulações sobre ligações familiares do ministro Dias Toffoli com o banco.
“A instituição (STF) é perene e é uma trincheira da cidadania, ela precisa ser preservada. Nesse caso, está tudo errado a começar pela competência do Supremo, a competência é o direito escrito, é o que está na Constituição Federal e nada mais”, apontou Mello, em entrevista à Rádio Jornal.
Exaltando a importância de uma “voz de ponderação”, Marco Aurélio falou da credibilidade do plenário do STF. “É indispensável que cada um (ministro) perceba a envergadura da cadeira ocupada e atue de acordo com a formação técnica e humanística que possui, resguardando os parâmetros de regência quanto a boa convivência e também a uma atuação elogiosa à sociedade, e não sendo alvo de críticas como vem ocorrendo nos dias de hoje”.
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Ao ser questionado sobre a existência de um “caminho de volta” frente às especulações sobre a relatoria de Toffoli no caso e a preservação da imagem do Supremo, o ex-ministro aponta que não acredita que a instituição consiga “de dar a mão à palmatória”, mas afirma de forma contundente que o que diz respeito ao STF deve ser resolvido entre os ministros. “As questões do Supremo devem ser resolvidas internamente, é a reunião física e a troca entre integrantes que permitem encontrar a melhor solução”, avaliou.
O ex-ministro ainda apontou a importância de um Tribunal que inspire coletividade e segurança aos cidadãos, pedindo também um voto de confiança entre os brasileiros. Segundo ele, “é preciso enxergar que o plenário está acima de qualquer integrante”. “Tenhamos também esperança de dias melhores para a nossa nacionalidade”, concluiu.