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Falsos 'nudes': quatro estudantes suspeitos de participar de montagem de fotos que prejudicaram garotas deixam colégio

Nesta segunda (13), instituição localizada Recife informou que um deles já foi transferido e outros três não poderão mais frequentar aulas presenciais em 2023

Publicado em: 13/11/2023 17:40 | Atualizado em: 13/11/2023 21:21

As adolescentes, que têm entre 13 e 15 anos, afirmaram  que estão sendo vítimas da adulteração de fotos que fazem ligação com  conteúdos pornográficos e de nudez (Rafael Vieira/DP)
As adolescentes, que têm entre 13 e 15 anos, afirmaram que estão sendo vítimas da adulteração de fotos que fazem ligação com conteúdos pornográficos e de nudez (Rafael Vieira/DP)
 
Quatro estudantes suspeitos de participação na montagem de  ‘falsos nudes”,  que envolveram ao menos 18 alunas, não vão permanecer, em 2024, no colégio particular onde todos estudaram este ano. 

Um deles já foi transferido e três estão proibidos de frequentar presencialmente os últimos dias do atual ano letivo, devendo mudar de escola no ano que vem. 

A informação foi confirmada, nesta segunda (13), pelo Colégio Marista São Luís, nas Graças, na Zona Norte do Recife.
 
O caso veio à tona após a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) instaurar inquérito para investigar a denúncia coletiva, no dia 6 de novembro. 

As adolescentes, que têm entre 13 e 15 anos, afirmaram  que estão sendo vítimas da adulteração de fotos que fazem ligação com  conteúdos pornográficos e de nudez. 

Ainda de acordo com o Marista, todos os quatro alunos suspeitos já estão com a documentação da transferência escolar autorizada, a partir do dia 16 de dezembro. 

Na nota, a instituição diz que “Até o momento, dos quatro estudantes envolvidos, um deles foi transferido da instituição de ensino. Os demais irão concluir o ano letivo de 2023 sem frequentar  presencialmente as aulas. Para 2024, todos  os  estudantes envolvidos já estão com a documentação da transferência escolar autorizada, a partir do dia 16 de dezembro, considerando o calendário, para finalização de ano letivo”. 

Ainda de acordo com a nota, “O Colégio Marista São Luís, em Recife (PE), tão logo tomou ciência do caso, na segunda-feira passada (6), por estudantes vítimas de manipulação de imagem, suspendeu os estudantes envolvidos no episódio, seguindo o que rege o Regimento Escolar”.

O documento reitera que “O Marista reitera que acolheu imediatamente as vítimas e auxiliou os responsáveis no registro formal da queixa na delegacia especializada, tendo ainda registrado o caso no Conselho Tutelar. A Instituição segue colaborando com as investigações policiais e prestando apoio e esclarecimentos à comunidade escolar”. 

Como aconteceu 
Em entrevista exclusiva ao Diario, no dia 7 de novembro, o pai de uma das vítimas dos ‘falsos nudes’, que preferiu não se identificar, explicou como foi que vazou as imagens que foram compartilhadas em um grupo de alunos por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp.

“Existe um grupo entre os alunos onde eles trocam mensagens. Dentre os estudantes, um deles tinha conhecimento de um aplicativo de montagem por meio de inteligência artificial. Sem má fé, acredito, começaram a trocar ‘nudes’ de pessoas adultas e personagens”, disse.

O pai prosseguiu a explicação e disse que surgiu a idéia de replicar a imagem e mandar para colegas da sala de aula.  

“Foram sugerindo as edições. Ele pegava as fotos nas redes sociais, fazia a montagem e depois jogava no grupo. Dito isso, no final de semana do feriadão, um dos alunos que não participa do grupo pediu que fosse compartilhada uma das imagens. Em seguida, esse menino compartilhou a imagem com outro aluno”, acrescentou.

Ainda segundo o pai de uma vítima, o outro menino teve a ação de denunciar o caso à coordenação da escola. 

“No final os envolvidos ficaram temerosos com as imagens compartilhadas fora do grupo”, explicou o pai.  

Comunicado 
 
Na semana passada, o Diario teve acesso com exclusividade a um ofício da diretoria do Marista São Luís, assinado pelo diretor Maicon Donizete Andrade Silva e que foi encaminhado para os pais e responsáveis  pelos alunos da instituição. 

O documento de nº 33/2023 da escola, foi expedido na terça (7) e ressalta aos pais dos estudantes quais as medidas que o colégio tomou após ter ciência do caso. 

“Em razão dos acontecimentos recentes envolvendo o uso indevido das redes sociais por estudantes, informamos que o Colégio Marista São Luís realizou atendimento e orientou as famílias das vítimas, educandas que tiveram a imagem manipulada por aplicativo de inteligência artificial, na segunda- feira, dia 06 de novembro, tão logo soube do fato”, disse o colégio.

Polícia investiga o caso

No dia 9, a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE)  informou que  as investigações preliminares apontavam que 18 alunas do Marista, até o momento, foram vítimas de montagens de fotos por meio de Inteligência Artificial envolvendo conteúdos pornográficos e de nudez. 

A informação  foi repassada por meio de nota. Segundo a PCPE, a Delegacia de Polícia de Atos Infracionais (Depai) ligado ao Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA) segue investigando o caso, de forma sigilosa.

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