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COVID-19

Onze casamentos via internet foram realizados em Pernambuco

Publicado em: 01/04/2020 18:20 | Atualizado em: 01/04/2020 19:03

Denise Coutinho e Marcelo Siqueira disseram sim em uma celebração do juiz da 1ª Vara de Família e Registro Civil da Capital, Clicério Bezerra, realizada online (Fotos: Cortesia / Whatsapp)
Denise Coutinho e Marcelo Siqueira disseram sim em uma celebração do juiz da 1ª Vara de Família e Registro Civil da Capital, Clicério Bezerra, realizada online (Fotos: Cortesia / Whatsapp)
Em tempos de isolamento social, grande parte dos brasileiros está procurando soluções online para os seus compromissos. Muitos realizam home office, outros fazem pagamentos de contas e as compras do mês por aplicativos. Em Pernambuco, casamentos estão acontecendo via transmissão ao vivo. Provando que amores ultrapassam até mesmo as pandemias, na capital do estado pelo menos oito casais disseram sim atrás das telas dos celulares, em Petrolina mais quatro firmaram matrimônio.  

As solenidades estão acontecendo via Whatsapp desde que foi decretada a suspensão temporária de atendimento presencial do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) no dia 16 do último mês. A medida tenta frear a transmissão da Covid-19, vírus que já vitimou 206 pessoas no Brasil, oito delas no estado. O primeiro casamento virtual foi realizado no dia 17 de março pelo juiz da 1ª Vara de Família e Registro Civil da Capital, Clicério Bezerra, e uniu os funcionários públicos Denise Coutinho, de 37 anos, ao seu esposo Marcelo Siqueira, 40.   

“Fomos avisados apenas um dia antes da data marcada para o casamento que o Tribunal iria fechar, por sorte o meu cunhado trabalhava no TJ. Ele explicou a situação e o magistrado pediu para que nos apressássemos, fomos para o cartório do jeito que estávamos, de bermuda e chinelo. Nós pensávamos que o juiz estaria lá, foi uma surpresa ver que ele nos casaria por Whatsapp”, comenta Denise. “Pelo menos é uma boa história para contar, saímos rindo e com a certidão na mão.” 

 

A noiva ainda conta que esta não foi a única dificuldade para realizar seu dia especial. “Marcamos um jantar para o dia do casamento, iriam 60 pessoas. Mas fomos avisados pelo síndico que o salão de festas estava fechado para não causar aglomeração. Ainda tentamos diminuir, mas não teve jeito. Passamos o dia todo tentando cancelar as coisas que encomendamos, mas algumas não conseguimos, como o bolo, doces e parte das flores. Decidimos então fazer um jantar menor, apenas para nossos pais e amigos próximos.”, lembra. “A Lua de Mel está sendo na quarentena, tínhamos planejado uma viagem, mas isso também precisou ser adiado. Porém já avisei a todo mundo, quando isso passar quero reunir as pessoas para um churrasquinho em comemoração ao casamento.”   

“Esse foi o primeiro casamento por videochamada que realizamos e apenas foi feito para cumprir o isolamento social. Eles também só foram possíveis porque todos os trâmites legais para os casamentos foram cumpridos e só faltava a celebração”, diz Clicério. “A principal diferença entre o online e o presencial é o tempo em que acontecem as cerimônias. Nos cartórios fazemos casamentos coletivos, chegamos a casar 50 casais, e tenho tempo de discorrer sobre os aspectos do casamento. No matrimônio online indago o mais importante: Se os noivos estão juntos por livre e espontânea vontade. A rapidez é para que o casal e funcionários não fiquem muito tempo expostos e possam voltar o mais rápido possível para as suas casas.” 

Além de Denise e Marcelo, Clicério realizou outros 7 casamentos, três deles apenas na manhã de ontem. “Fiquei apreensivo como a atitude seria recebida, mas no geral o resultado é positivo. O casamento online não frustra a expectativa dos noivos, que há muitos meses haviam reservado datas e organizado suas festas, além de cumprir com as determinações legais”, diz o juiz. “Esse é o momento mais feliz para um magistrado, para quem trabalha com a vara da família o mais comum são pedidos de divórcio ou brigas por pensão, casamentos são mais raros. Peço para quem já estava com o casamento marcado, e que possa esperar um pouco, fique em casa. Adie a cerimônia. Só o isolamento poderá fazer com que passemos deste período mais rápido. Quem não pode, procure os cartórios da sua região e explique a urgência.” 
 
Petrolina 

Os matrimônios online de Recife inspiraram a magistrada da 2ª Vara Cível da Comarca de Petrolina, Juçara Figueiredo, a comandar a celebração de mais quatro casais por videochamada nas últimas duas semanas de março.  

Antes da pandemia, costumavam ser realizados cerca de 30 casamentos de forma presencial na Comarca de Petrolina por semana, mas com o aumento das infecções e o funcionamento especial do TJ-PE a maioria dos casais pediu para adiar a celebração. Para os que insistem em concretizar a união, a juíza lembra que casos especiais que devem ser analisados separadamente, ou seja, a solicitação de casamento nesses moldes é feita pelo próprio casal ao oficial do Cartório de Registro Civil, explicando o porquê considera a cerimônia urgente. 

“Alguns casais estavam com a aquisição de imóvel já em curso e só queriam fechar o negócio após a legalização do casamento para o bem ser de ambos. Outra situação especial, foi a de uma noiva russa que já estava com viagem programada com o marido para seu país de origem, sendo dispendioso remarcar uma nova data”, comenta a juíza. “O Estado Juiz precisa estar presente na vida dos cidadãos, o que deve acontecer para atender as diversas demandas que, se forem adiadas podem trazer prejuízo à vida dos jurisdicionados. O casamento, não se trata apenas de um sonho, mas também de um projeto de vida, em que há muitas implicações legais”, conclui. 
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