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Notícia de Ciência e Saúde
BEM ESTAR Cacau pode ajudar a tratar o diabetes, mostra estudo americano Segundo o estudo, os monômeros de epicatequina ajudam na produção de insulina, cuja ação é comprometida em decorrência da doença metabólica

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 29/08/2017 07:38 Atualizado em: 29/08/2017 07:41

Foto: Elias Falla/Pixabay
Foto: Elias Falla/Pixabay
Um composto presente no cacau, base para um dos maiores inimigos da dieta, o chocolate, poderá ser usado para o tratamento justamente de quem deve evitar o açúcar: os diabéticos. O efeito inusitado foi detalhado por pesquisadores da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, na última edição do Journal of Nutritional Biochemistry. Segundo os autores, os monômeros de epicatequina ajudam na produção de insulina, cuja ação é comprometida em decorrência da doença metabólica.

No diabetes tipo 2, o corpo para de produzir insulina ou não processa adequadamente o açúcar ingerido. O problema ocorre por um colapso das células beta, responsáveis pela produção do hormônio. Segundo Jeffery Tessem, um dos autores do estudo, as produtoras de insulina funcionam melhor e ficam mais fortes quando se aumenta a quantidade de monômeros de epicatequina no corpo. “Eles tornam mais fortes a mitocôndria nas células beta, o que produz mais ATP (fonte de energia de uma célula), resultando em maior liberação de insulina”, resume o também professor de nutrição, dietética e ciência alimentar na universidade norte-americana.

A equipe chegou à conclusão após um experimento com ratos. Inicialmente, as cobaias seguiram uma dieta rica em gordura e sofreram as consequências dela, como o aumento do peso. Quando o composto do cacau foi adicionado à alimentação dos animais, houve redução da obesidade e aumento da capacidade de lidar com a elevação dos níveis de glicose no sangue. “Os monômeros de epicatequina protegem as células, aumentando a capacidade delas de lidar com o estresse oxidativo”, diz Tessem.

O pesquisador ressalta, porém, que a descoberta não avaliza a ingestão de barras de chocolate. “Você provavelmente terá que comê-las em grande quantidade e não vai querer ingerir o tanto de açúcar inerente a esse processo. É o composto no cacau que você está procurando”, explica.

A intenção da equipe é fazer com que os monômeros de epicatequina sejam ingeridos de forma mais saudável e viável.  “Esses resultados nos ajudarão a nos aproximar da ideia de usar esse composto de forma mais eficaz, em alimentos ou suplementos para manter o controle normal de glicose no sangue e até potencialmente o aparecimento do diabetes tipo 2”, cogita Andrew Neilson, coautor do estudo.


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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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