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Notícia de Ciência e Saúde
Saúde Surto de febre amarela já é o pior em dez anos Ontem, novo balanço da SES-MG indicou que já são 32 as mortes confirmadas em Minas, aumento de 28% em relação às 25 da última sexta-feira

Por: Estado de Minas

Publicado em: 24/01/2017 14:46 Atualizado em: 24/01/2017 14:58

A febre amarela silvestre avança em Minas e na Região Sudeste, fazendo de 2017 o ano com mais mortes pela doença no país em uma década – o último ano com dados disponíveis, segundo o Ministério da Saúde, é 2008. Naquele ano, 27 pessoas morreram vítimas da enfermidade. Ontem, novo balanço da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) indicou que já são 32 as mortes confirmadas em Minas, aumento de 28% em relação às 25 da última sexta-feira. A situação pode ser pior, uma vez que há 51 óbitos sendo investigados e o total de casos notificados passou de 272 para 391.

A preocupação de autoridades e especialistas também aumentou ontem diante da confirmação de três mortes em São Paulo e da informação de que o provável local de infecção de um dos mortos em Minas é a zona rural de Januária, no Norte de Minas, que não figura no mapa de alerta da SES-MG. Uma das mortes em São Paulo é de um paciente que esteve em Minas Gerais, começou a apresentar os sintomas e morreu em Santana do Parnaíba, no interior paulista. Os outros dois casos confirmados são autóctones, ou seja, com transmissão dentro de São Paulo. Os pacientes são dos municípios de Batatais e Américo Brasiliense. Além de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo já estavam na estratégia de reforço vacinal anunciada pelo Ministério da Saúde na semana passada.

Em Minas, a SES informou ontem que o “provável local de infecção” do pedreiro mineiro que morreu em Brasília (DF) na semana passada é o distrito de Várzea Bonita, em Januária, no Norte de Minas. Se a informação for confirmada, será o primeiro caso de febre amarela este ano na região. Para o infectologista Dirceu Greco, do Hospital das Clínicas da UFMG, os casos fora da área de alerta em Minas reforçam a necessidade de mais atenção e resposta das autoridades de saúde pública.

Na tentativa de evitar a transmissão, a Prefeitura de Caratinga tem usado a caminhonete de combate à dengue para borrifar inseticida em bairros da área urbana. Foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press (Na tentativa de evitar a transmissão, a Prefeitura de Caratinga tem usado a caminhonete de combate à dengue para borrifar inseticida em bairros da área urbana. Foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)
Na tentativa de evitar a transmissão, a Prefeitura de Caratinga tem usado a caminhonete de combate à dengue para borrifar inseticida em bairros da área urbana. Foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press


“É ruim que este alerta esteja ocorrendo com mortes, mas isso mostra, mais do que nunca, que as pessoas precisam estar com seus cartões de vacina em dia. É importante que toda a informação sobre a doença seja repassada da maneira correta, para que as pessoas estejam atentas e todo o reforço seja feito no sentido de controlar o vetor (os mosquitos)”, afirmou.

O especialista lembrou ainda que o combate deve ser contra o mosquito que transmite o tipo silvestre da febre amarela (Haemagogus), mas também contra o Aedes aegypti, transmissor da forma urbana da doença, além da dengue, zika e chikungunya. “Com o avanço de casos, há risco de haver um salto do tipo silvestre para o urbano. Mas, parece que o estado tem tomado decisões claras. O problema é ter que tomar decisões em situações de emergência”, avaliou.

Na tentativa de evitar a transmissão da febre amarela, a Prefeitura de Caratinga, município do Vale do Rio Doce com maior número de casos notificados da doença na zona rural (85), tem usado a caminhonete de combate à dengue para borrifar inseticida em bairros da área urbana. Ontem, o fumacê, como é conhecido, passou pelo Bairro Santa Cruz, que exige atenção por se espalhar ao longo de uma mata densa na parte alta da cidade.



CIRCULAÇÃO DO VÍRUS
De acordo com Dirceu Greco, a ocorrência de casos da doença tem a ver com a circulação do vírus, que é comum a todas essas regiões, de clima tropical ou subtropical. Ele explica que muitos casos estão sendo analisados por terem sintomas de patologias virais, que podem ser de febre amarela ou de outras doenças. É o que vem ocorrendo no Espírito Santo, onde a Secretaria de Saúde investiga o quadro de saúde de 19 pacientes internados com sintomas de doenças como febre amarela, leptospirose e dengue, entre outras.

Até o momento, não há caso confirmado de febre amarela em humanos no estado. Apenas em macacos encontrados nos municípios de Colatina e Irupi. Como medida preventiva, a secretaria iniciou, na semana passada, a vacinação cautelar em 37 municípios, levando em consideração a morte dos primatas e a proximidade geográfica entre esses municípios e a divisa com Minas Gerais por meio da faixa contínua de floresta.

Sobre os casos de São Paulo, a SES-MG sustentou, por meio de nota, que não é possível afirmar que haja relação com os casos de Minas Gerais, sendo necessário concluir uma investigação epidemiológica mais detalhada para compreender a situação. “Destaca-se que o Norte do estado de São Paulo, desde o ano passado, já havia registrado caso de febre amarela silvestre nos municípios de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto”, informou. A SES-MG ressaltou que, diante do atual surto, já distribuiu 1,6 milhão de vacinas aos municípios nas áreas prioritárias. Três cidades fora da área de alerta tiveram reforço de imunização: Januária, Pedra Azul e Diamantina, com 304 mil doses. Outras 266 mil foram entregues como parte da rotina de imunização no estado. (Colaborou Mateus Parreiras)

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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