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Cão é resgatado vivo após 29 dias sob os escombros dos terremotos da Venezuela

O cão Beily, da raça poodle, foi encontrado ao lado do corpo da dona. Menina de 11 anos, filha da vítima, já havia sido resgatada com vida

Villanova Neto

Publicado: 29/07/2026 às 16:32

Beily foi resgatado sob os escombros após 29 dias com desidratação severa e diversas lesões/Reprodução/Facebook

Beily foi resgatado sob os escombros após 29 dias com desidratação severa e diversas lesões (Reprodução/Facebook)

Na última quinta-feira (23), ou seja, 29 dias após dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 (com menos de um minuto de diferença entre eles) arrasarem a cidade de Catia La Mar, no norte da Venezuela - um grupo de voluntários que trabalhava à procura de sobreviventes e de corpos ouviu um som fraco vindo de baixo de escombros que ainda não tinham sido removidos. Ao avançar em direção ao som, encontraram o improvável: Beily, um cão da raça poodle, de dois anos de idade, vivo.

Coberto de pó, extremamente desidratado, debilitado e mal conseguindo se manter em pé, o cão havia sobrevivido quase um mês sob os destroços. As imagens do resgate que mostram Beily bebendo água da mão de um dos socorristas, ainda sujo e fraco, logo depois de ser retirado das ruínas, viralizou e comoveu o mundo.

Ele foi encaminhado imediatamente para o atendimento veterinário, sendo diagnosticado com desnutrição severa e lesões nos olhos, mas também algo inesperado: um bom prognóstico de recuperação.

Na madrugada do dia 24 de junho no norte da Venezuela, após a catástrofe, milhares de famílias ficaram separadas entre os entulhos das suas próprias casas. Além de bilhões de dólares em prejuízos estimados pelo Banco Mundial, com casas e prédios inteiros destruídos, as autoridades Venezuelanas divulgaram que mais de cinco mil pessoas morreram, enquanto mais de 16 mil ficaram feridos e outras centenas perdidos.

Com Victoria, uma menina de 11 anos, a sua avó, a sua mãe e Beily, não foi diferente. A criança foi resgatada com ferimentos leves poucas horas depois dos terremotos e levada até o seu pai, Jairo, mas o restante da família permaneceu desaparecida nos destroços do prédio onde moravam.

Dia após dia, semana após semana, equipes de resgate de todo o país trabalharam para resgatar possíveis vítimas. Com o passar do tempo, o número de sobreviventes encontrados era cada vez menor, assim como a esperança de quem esperava por notícias de amigos e familiares.

Ali, nas ruínas do prédio onde morava a família e onde o cão foi encontrado, estava o corpo da mãe de Victoria, que, segundo a menina, tinha um vínculo especialmente forte com Beily, sendo praticamente inseparáveis. O corpo da sua avó também foi encontrado um pouco depois, também na mesma região.

Victoria estava com o pai quando souberam que um cachorro havia sido encontrado com vida na área próxima à sua casa e os dois correram prontamente até o local. "Fomos ver, saímos do carro e vimos muita gente em volta, e eles diziam: 'Meu Deus, um cachorro vivo!'", contou a menina em entrevista a uma TV de Caracas. Ao se aproximar, ela reconheceu Beily, mas, de tão fraco e atordoado, o cão não reagiu de imediato ao chamado dela.

Para Jairo, o que aconteceu não tem outra explicação além de um milagre. Ele lembrou que a própria filha havia sido resgatada com vida horas depois do desabamento, de dentro de uma casa que, segundo ele, ninguém imaginaria abrigar um sobrevivente. Agora, era o cão da família que desafiava as mesmas estatísticas. Victoria resumiu o sentimento de forma simples: encontrar Beily também significou, de certa forma, poder se despedir da mãe, já que foi ao lado do cão que o corpo dela foi localizado.

Hoje, sob os cuidados da menina e do companheiro da mãe, Beily segue um plano gradual de reidratação e fortalecimento muscular, acompanhado por veterinários que ajudam a custear parte do tratamento.

Nas redes sociais, nas quais Victoria (Instagram: @victorybelly) documenta cada etapa da recuperação do cachorro, milhares de pessoas têm acompanhado a história e chamado Beily, o pequeno poodle que resistiu quase um mês sob os escombros, de símbolo de esperança em meio à maior tragédia natural que a Venezuela já enfrentou.

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