Beto Lago: "Na Ilha e nos Aflitos. Agora, sim, teremos clássicos de verdade!"
As finais do Campeonato Pernambucano acontecem nos domingos, dias 1º e 8 de março
Publicado: 25/02/2026 às 01:18
Ilha do Retiro e Aflitos, casa de Sport e Náutico, respectivamente (Rafael Vieira)
Agora é clássico
Finais definidas. Primeiro jogo na Ilha do Retiro. Segundo, nos Aflitos. Com torcida visitante.
Parece simples, mas não é. É uma vitória do bom-senso e da pressão natural que o futebol exerce quando tentam engessá-lo. A última vez que o Pernambucano teve uma final entre dois integrantes do Trio de Ferro com torcida visitante foi em 2019, na decisão entre Sport e Náutico, vencida pelo Leão nos pênaltis, na Ilha. De lá para cá, muros, acordos de conveniência e discursos de “segurança” seguiam esvaziando o espetáculo. A FPF queria as duas partidas na Arena de Pernambuco. Financeiramente, o argumento é sedutor: maior capacidade, mais receita bruta. Mas clássico não é só planilha. Clássico é território, é pressão, é arquibancada pulsando contra. Sport e Náutico bateram o pé. Querem decidir em casa. Querem o peso do seu estádio. E a FPF acertou ao aceitar, mais ainda ao liberar a torcida visitante. Antes, o mando era blindagem, em que o estádio deixava de ser palco e virava reduto. Final sem visitante é jogo grande mutilado. Desta vez, teremos decisão com atmosfera real. E tem um personagem simbólico nisso tudo. No início do mês, relatei aqui a frase do pequeno Matias, ao lado do pai Rodrigo, na Ilha, diante de um setor visitante vazio em Sport x Santa Cruz: “Então não é clássico!”. Pois é, Matias. Agora é.
E a semana deste primeiro clássico segue começa com as discussões inevitáveis: Arbitragem local ou quadro nacional? Vem Fifa? E o VAR, será o de praxe ou equipe de fora para blindar a decisão? Detalhes que não são detalhes. Em finais equilibradas, bastidores também jogam. A decisão promete ser uma das mais tensas dos últimos anos. Pelo contexto, pela rivalidade e pelo momento dos dois times.
Coletiva oficial
A FPF mantém o protocolo: coletiva oficial antes da primeira partida. Quinta-feira, 10h30, na sede da entidade. De um lado, Hélio dos Anjos. Do outro, Roger Silva. Dois perfis distintos, dois discursos diferentes e, provavelmente, duas estratégias opostas. Também estarão presentes os capitães Vinícius, pelo Náutico, e Ramon, pelo Sport. É o primeiro embate psicológico. Hélio costuma jogar xadrez verbal. Roger tem sido mais defensivo nas explicações públicas. A coletiva, muitas vezes protocolar, pode oferecer sinais importantes: confiança real ou discurso ensaiado? Final também se começa a jogar no microfone.
Caso de reconstrução
Com o acerto do técnico Claudinei Oliveira para o comando do time e um novo executivo de Futebol praticamente fechado, o Santa Cruz enfim pode iniciar a tão falada reformulação — sim, lá vem ela outra vez. A montagem do elenco para 2026 foi um erro em série: faltam peças em setores básicos e sobra limitação técnica em outros. Diante do nível que o Brasileiro da Série C vai exigir, não se trata de retoque. É caso de reconstrução. No mínimo, um time inteiro para competir de verdade.