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COLUNA BETO LAGO

Beto Lago: "Jogar com o Sub-20 no Clássico dos Clássicos e o risco elevado"

Sport e Náutico se enfrentam no próximo domingo (18), às 18h, no Estádio dos Aflitos

Beto Lago

Publicado: 16/01/2026 às 08:18

O time sub-20 do Sport venceu o Retrô na 2ª rodada do Pernambucano /Rafael Melo/FPF

O time sub-20 do Sport venceu o Retrô na 2ª rodada do Pernambucano (Rafael Melo/FPF)

Sub-20 no clássico
Os dois bons jogos que o Sub-20 do Sport fez neste início de Pernambucano abriu uma possibilidade: deixar os garotos para encarar o Náutico, neste primeiro clássico estadual em 2026, no próximo domingo, nos Aflitos. A ideia vem sendo defendida por muitos que fazem parte do departamento profissional do clube rubro-negro, alegando que o elenco apenas se apresentou nos últimos dias de dezembro, tempo insuficiente para que possam ter uma boa parte física e também técnica. A decisão de levar a campo os garotos para o Clássico dos Clássicos carrega um risco técnico elevado. Diferente do clube leonino, que precisa priorizar uma "pré-temporada estendida" para o elenco principal, o Náutico chega para o confronto em um estágio de maturação muito superior. O Timbu conta com o trunfo da continuidade: a manutenção da base do ano anterior; novos jogadores que estão dando um novo gás ao grupo; e, principalmente, a liderança de Hélio dos Anjos. Um treinador conhecido por exigir intensidade máxima e por não "aliviar" nas partidas, independentemente do adversário. O risco para o Sport é ser engolido pela superioridade física e pelo entrosamento de um rival que já joga de memória, enquanto os meninos da Ilha ainda buscam maturidade tática. A escolha é pragmática e também perigosa. No futebol pernambucano, onde o clássico dita o humor da semana, o "laboratório" da Ilha do Retiro terá que provar que a lógica científica supera a paixão e a urgência do resultado.

Os dois lados
Sob a ótica do planejamento, existem alguns pontos. Ao poupar os profissionais, o Sport evita o desgaste precoce e o risco de lesões frequentes no início de temporada. Porém, futebol é ritmo. Deixar os profissionais fora de um jogo com o peso de um clássico pode significar uma demora maior para que o time principal atinja o "pico" de performance técnica e competitiva. Treino nenhum substitui a atmosfera e a pressão de um jogo contra o Náutico.

Ousadia ou necessidade?
Se o Leão vencer ou empatar, a diretoria será aplaudida pela "ousadia e planejamento". Se perder jogando bem, dirão que serviu de teste. Mas, diante de um Náutico de Hélio dos Anjos, com um time que costuma morder a saída de bola e buscar o gol incessantemente, o Sport joga com fogo. O clube coloca a saúde física dos seus profissionais em um altar, mas corre o risco de sacrificar a confiança de suas promessas e a paz do seu ambiente interno.

Planejamento ou descaso?
É aí que vem o ponto mais sensível. Se o Sport for goleado, a diretoria e a comissão técnica serão os primeiros alvos. A narrativa de "planejamento" é rapidamente substituída pela de "descaso com a rivalidade". Para a torcida, perder um clássico de forma humilhante é uma mancha que gera crise política e pressão desnecessária logo no início do ano. Assim, em vez de vitrine, o clássico se torna um trauma para jovens talentos, que podem ser queimados e, com toda certeza, seria útil ao longo do ano.

 

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