Santa Cruz
COLUNA BETO LAGO

Beto Lago: "O discurso da 'melhora com o tempo' ameaça o projeto idealizado por Marcelo Cabo"

O Santa Cruz se encontra na 4ª posição do Campeonato Pernambucano, com duas vitórias, um empate e uma derrota

Beto Lago

Publicado: 23/01/2026 às 08:46

Recife, PE, 09/09/2025 - SANTA CRUZ X AMERICA DE NATAL - Na tarde deste sábado (30),  a equipe do Santa Cruz recebeu a equipe do América de Natal pelo Campeonato Brasileiro da Serie D 2025 na Arena de Pernambuco. Técnico do Santa Cruz, Marcelo Cabo/Rafael Vieira

Recife, PE, 09/09/2025 - SANTA CRUZ X AMERICA DE NATAL - Na tarde deste sábado (30), a equipe do Santa Cruz recebeu a equipe do América de Natal pelo Campeonato Brasileiro da Serie D 2025 na Arena de Pernambuco. Técnico do Santa Cruz, Marcelo Cabo (Rafael Vieira)

Sem DNA
Quando Marcelo Cabo chegou ao Santa Cruz, após a demissão de Itamar Schulle, a dúvida se ele daria certo era legítima. A campanha quase perfeita no turno inicial da Série D ajudou a construir uma impressão positiva. Mas o returno foi um desastre: queda técnica brusca, perda de controle e um time que passou a sobreviver mais do que a competir. No mata-mata, cada classificação veio carregada de tensão, quase sempre amparada pelas defesas de Rokenedy. A perda do título não abalou a confiança da diretoria e dos investidores, que optaram por mantê-lo para 2026. O erro começa a ficar evidente no Estadual. Do Trio de Ferro, o Santa Cruz foi quem saiu na frente: apresentou-se antes, fez mais amistosos e encarou, nas primeiras rodadas, adversários fora da prateleira dos candidatos ao título. O cenário era favorável. Aí, veio o Retrô e a realidade ficou clara. O Santa de Marcelo Cabo segue sem identidade. Em quatro partidas, quatro formações diferentes, sobretudo no ataque, sinal claro de que o treinador ainda não encontrou um DNA de jogo. A produção ofensiva é frágil e sem confiança. Alguns resultados até mascaram o desempenho, como o 3x0 sobre o Decisão, mas o conteúdo segue raso. Cabo teve tempo para adaptação e margem para testes. O que se vê, porém, é uma evolução mais retórica do que sistêmica. Os números confirmam: posse sem eficiência, poucas finalizações, sem ideias de esquemas e um ataque sem consistência. Isso não é “dar liga”: é volume sem qualidade. E quando o volume não vira domínio técnico nem chances reais, o discurso da melhora com o tempo passa a ameaçar o próprio projeto.

Sem clareza de ideias
A ilusão da “melhora gradual” começa a perder validade. O que se percebe é estagnação, não crescimento. Se Cabo pede tempo, o gramado cobra respostas. No Santa Cruz, o prazo de um técnico é medido pelo oxigênio que o time consegue produzir em jogo. E esse oxigênio tem sido sufocado por um futebol previsível, sem ousadia e sem clareza de ideias.

Acreditar na sorte ou no trabalho?
O maior problema não é a pontuação, mas a imagem de um Santa Cruz tecnicamente à deriva. O argumento de que o time sairia preparado após a pré-temporada parece mais uma brincadeira. Em meados de janeiro, com quatro jogos disputados, essa explicação se aproxima perigosamente de uma desculpa. Porque quando a melhora prometida para “amanhã” nunca chega, ela deixa de ser expectativa e vira promessa vazia. E a diretoria espera por uma virada no clássico contra o Náutico, neste domingo. É acreditar na sorte ou no trabalho?

Caminhando para os 100%
Com time misto, o Náutico manteve o mesmo ritmo e aplicou mais uma goleada no Estadual. O 4x0 sobre o Jaguar garantiu a liderança isolada e elevou ainda mais o ânimo para o clássico de domingo, contra o Santa Cruz, na Arena de Pernambuco. O Timbu avança firme para fechar a primeira fase com 100% de aproveitamento. Alguém ainda duvida?

Mais de Santa Cruz

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas

WhatsApp DP