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ANÁLISE

Anatomia da derrocada: como o Náutico saiu da vice-liderança para a parte de baixo da Série B

Sem vencer há sete partidas, o Timbu despencou na classificação e atualmente ocupa o 13º lugar

Caio Antunes

Publicado: 13/07/2026 às 18:42

Guilherme dos Anjos e Hélio dos Anjos, treinadores do Náutico/Rafael Vieira / CNC

Guilherme dos Anjos e Hélio dos Anjos, treinadores do Náutico (Rafael Vieira / CNC)

Vivendo o pior momento dentro de campo desde a chegada do técnico Hélio dos Anjos, o Náutico viu a sua crise ser agravada com a derrota para o Avaí no último domingo (12). O resultado fez o Timbu chegar ao sétimo jogo sem vitória, com cinco derrotas no recorte.

A má fase fez o clube despencar na tabela de classificação da Série B, onde ocupa atualmente a 13ª posição, com 21 pontos. Em pouco tempo, os alvirrubros saíram de um cenário de briga direta pelo acesso, chegando a ser vice-líderes, para a parte de baixo da tabela e o temor pelo futuro na competição.

Baixo rendimento dentro de campo

A primeira explicação direta para o mau momento alvirrubro é o desempenho em campo. A equipe pernambucana vem tendo atuações muito abaixo do nível mostrado no início da competição e durante boa parte do Campeonato Pernambucano.

O Timbu perdeu a alta intensidade que lhe era característica, não conseguindo mais sufocar o adversário com forte pressão nem manter alto volume ofensivo. Mantendo a mesma característica de jogo e sendo menos eficiente no ataque, o Náutico se vê mais exposto defensivamente diante dos adversários.

A fase do time, aliás, está diretamente relacionada à dificuldade em fazer gols nos últimos jogos. Dono de um ataque avassalador no começo da temporada, o Náutico sofre para balançar as redes atualmente e já não marca há três partidas.

Gestão da comissão técnica sobre o futebol é questionada

Principais responsáveis pelo departamento de futebol do Náutico, os técnicos Hélio dos Anjos e Guilherme dos Anjos vêm sofrendo fortes questionamentos pela queda de rendimento da equipe. Os dois comandaram toda a montagem do elenco alvirrubro.

Em meio à disputa da Segundona, o clube alvirrubro vem sofrendo com o baixo rendimento de atletas contratados e as carências evidentes do elenco. Com uma extensa lista de desfalques, o time esbarra na falta de peças com maior poder de decisão para ajudar dentro de campo.

Uma reformulação no plantel vem sendo trabalhada no Náutico. Alguns jogadores já saíram oficialmente dos planos, enquanto novas contratações tendem a chegar na atual janela de transferências.

Apesar da recalculada de rota para ajustar questões no elenco, o trabalho de captação e contratação de atletas deverá ser novamente feito pela comissão técnica, que busca um maior grau de assertividade no mercado.

Problemas internos recorrentes

Com os resultados sem aparecerem dentro de campo, a fase turbulenta também se estendeu internamente no Náutico. Antes do duelo contra o Fortaleza, ainda no início da sequência negativa, houve um episódio de agressão física entre jogadores dentro das dependências do clube.

Na ocasião, o volante Luiz Felipe agrediu o meia Felipe Redaelli. O acontecimento foi exposto pelo técnico Guilherme dos Anjos em entrevista coletiva, resultando na suspensão por três dias do atleta, que não atuou contra o Leão do Pici.

O caso mais recente ocorreu com o meia Dodô. Depois de um interesse do futebol da Coreia do Sul no jogador, o Náutico anunciou que exerceria a opção de compra do atleta prevista em contrato, no valor de R$ 800 mil, dividido em cinco parcelas.

Em meio ao imbróglio, Dodô faltou ao treinamento do clube durante a semana. O fato fez o Náutico publicar uma nota oficial informando que o jogador teria sido formalmente notificado para retornar às suas atividades, ressaltando que as medidas cabíveis seriam tomadas.

O ocorrido fez o meia não ser relacionado para a derrota para o Avaí. Em entrevista após o jogo, o treinador Guilherme dos Anjos chegou a falar da situação do atleta. O comandante alvirrubro disse existir uma divergência entre o jogador e o clube sobre o momento de um novo contrato. Dodô voltou a treinar normalmente no clube, mas ainda vive indefinição contratual.

Ainda na última semana, o Náutico também sofreu com atrasos salariais. Segundo a comissão técnica, a questão seria natural dentro da divisão por questões de fluxo de caixa, ressaltando que seriam poucos dias de atraso.

Desfalques e departamento médico cheio

Os problemas dentro do elenco alvirrubro vêm sendo expostos pela longa lista de jogadores no departamento médico durante a Série B. A principal ausência fica por conta do capitão Vinícius, que sofreu uma lesão muscular de grau 3 e já desfalcou o time em duas ocasiões. Devido à gravidade, Vinícius deverá ficar fora de mais alguns jogos.

Outra baixa importante foi a do zagueiro Betão. Tornando-se titular inquestionável, o defensor também sofreu uma lesão muscular e perdeu as três últimas partidas. Ainda no sistema defensivo, Arnaldo e Mateus Silva também têm convivido com problemas físicos.

O caso mais delicado em relação à disponibilidade ocorre com o centroavante Paulo Sérgio. Referência ofensiva no acesso à Série B na temporada passada, o camisa 9 perdeu espaço durante a disputa da Segundona e convive com passagens longas pelo departamento médico.

Disputando vaga direta com o contestado Derek, Paulo Sérgio não esteve disponível nas últimas seis partidas da equipe por conta do tratamento de uma lesão muscular na coxa direita.

Futuro

Em meio ao momento conturbado, o presidente Bruno Becker convocou uma entrevista coletiva para esta terça-feira (14). A expectativa é de que o mandatário se pronuncie sobre a fase do Náutico e os próximos passos que serão tomados pelo clube. Sem tempo para lamentar, o Timbu volta a campo nesta quinta-feira (16), quando visita o CRB.


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