Beto Lago: "Derrotas abrem cicatrizes que demoram a fechar"
O Náutico foi goleado pelo Sport na final do Pernambucano de 2026
Publicado: 11/03/2026 às 08:23
Zé Lucas e Paulo Sérgio na final do Pernambucano (Rafael Melo/FPF)
Cicatrizes
As redes sociais do Náutico, assim como as dos técnicos Hélio dos Anjos e Guilherme dos Anjos, foram tomadas por críticas duras após os textos de desculpas publicados depois da final do Pernambucano. O torcedor não quer explicação. Quer resposta em campo. E a única resposta possível agora atende por um nome: Brasileiro da Série B. É ali que o Náutico terá a chance de apagar a imagem negativa deixada na decisão estadual. O problema é que, olhando friamente para o atual elenco, a missão não parece simples. Com uma folha salarial em torno de R$ 1,9 milhão – podendo chegar ao teto de R$ 2,5 milhões definido pela diretoria –, o clube ainda não conseguiu transformar investimento em confiança. Alguns reforços anunciados até aqui não empolgam. São nomes que passaram sem espaço ou foram descartados por concorrentes diretos da própria Série B. Não se trata de preconceito com atletas que buscam recomeço. Trata-se de competitividade em um campeonato brutal. Basta observar a largada do calendário alvirrubro: Criciúma (casa), Atlético/GO (fora), Ponte Preta (casa), Ceará (fora), São Bernardo FC (casa) e Athletic Club (fora). É uma sequência dura, é verdade. Começar bem, nesse cenário, significa somar pelo menos dez pontos. Qualquer coisa abaixo disso já acende o alerta. Até a estreia, o clube tem duas tarefas urgentes: qualificar melhor o grupo, e aqui vale a lembrança que o prazo de contratações vai até o dia 27. E tentar reconstruir a relação com o torcedor. Porque, no futebol, existe uma verdade simples: vitória cura qualquer ferida. Mas derrota abre cicatrizes que demoram a fechar.
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Quando se fala em reformulação de elenco, muita gente pensa apenas em contratações. Mas reformular também significa ter coragem para dispensar. O Náutico precisa enfrentar essa discussão de frente. Não faz sentido manter no banco de reservas jogadores com salários acima de R$ 100 mil. Um clube que busca equilíbrio financeiro e competitividade não pode sustentar esse tipo de distorção. E quem ganha mais também precisa aparecer mais.
Hora de separar os homens dos meninos
Nos dois jogos da decisão estadual, o que se viu foi um time sem liderança em campo. Faltou voz, faltou postura, faltou alguém assumir o peso da camisa nos momentos decisivos. Agora não é mais hora de discurso. É hora de atitude. Dentro do elenco, chegou o momento de separar os homens dos meninos. Não por crueldade, mas por necessidade. Porque, se o Náutico quiser transformar a frustração do estadual em combustível para a Série B, precisará de caráter competitivo, algo que não se compra apenas com salário. Constrói-se com personalidade. E com coragem para tomar decisões.
Mudança de comportamento
Neymar sabe usar as redes sociais como poucos, mas está claro que, para ter seu nome entre os 26 convocados para a Copa do Mundo, precisará recuperar a confiança do técnico Carlo Ancelotti. O treinador foi assistir a Mirassol x Santos com a expectativa de vê-lo em campo, mas o jogador acabou poupado. Outro detalhe pesa: para o Mundial, Ancelotti não pretende levar ninguém que não esteja 100% fisicamente.