Beto Lago: "Título em aberto: quem errar menos nos Aflitos levanta a taça"
O segundo jogo da final acontece no próximo domingo (08), às 18h, no Estádio dos Aflitos
Publicado: 02/03/2026 às 08:22
Sport e Náutico empataram em 3 a 3 no primeiro jogo da final do Pernambucano de 2026 (Paulo Paiva/Sport)
Em aberto
Um Clássico dos Clássicos com roteiro de filme com muita emoção. Na Ilha do Retiro, Sport e Náutico empataram em 3x3 e deixaram o título em aberto. O Náutico veio com a cara do seu treinador, fiel à estrutura que os jogadores conhecem de olhos fechados. Já o Sport, apostou na surpresa, mexeu demais. Mudança por convicção ou por ansiedade? A primeira resposta veio dentro de campo e foi constrangedora para o Leão. O Timbu engoliu o rival no primeiro tempo. Intensidade, ocupação de espaço, transições rápidas. Abriu o placar com Paulo Sérgio, de pênalti, mas pecou naquilo que clássico não perdoa: eficiência. No último lance da etapa inicial, em um cochilo defensivo, Yuri Castilho empatou. Um castigo pedagógico. Na volta do intervalo, pouca mexida e muita conversa. Ajustes tímidos para problemas evidentes. Quando o Sport ensaiava crescer, falha grotesca da defesa: Ramon não afasta, Benevenuto marca contra. Mas o Náutico também não se ajuda. Recua, fragmenta o jogo, mexe para tentar proteger o que ainda não conquistou. E aí novamente Yuri Castilho, aos 19, para empatar. O clássico vira trocação. Na reta final, Yago Felipe aproveita rebote de Muriel e vira o placar. A Ilha explode. Era o golpe psicológico que parecia definitivo. Parecia. Porque o Sport, que já tinha mostrado fragilidade emocional, não sabe sustentar a vantagem. No último lance, Wanderson empata. De novo no apagar das luzes. De novo com sabor de castigo. O 3x3 escancara virtudes e limitações dos dois lados. O Náutico mostrou organização e volume, mas foi irresponsável nas conclusões. O Sport exibiu poder de reação, mas convive com uma defesa que transforma qualquer jogo em drama. O título segue em aberto. E a sensação é clara: quem errar menos nos Aflitos levanta a taça. Porque talento existe. O que está em falta é equilíbrio.
Mesmo com o desejo quase declarado de alguns que apostavam no caos e torciam por manchetes sangrentas espalhadas pela cidade, o que se viu foi o oposto: raros registros de confronto e uma rotina de normalidade nas ruas. As forças de segurança fizeram sua parte. Planejamento, presença ostensiva e prevenção surtiram efeito. Quem alimentava a narrativa da barbárie perdeu argumento e, sobretudo, credibilidade.
A faixa de capitão
O zagueiro Ramon era o capitão até a semifinal. Na coletiva da FPF, quem apareceu com a responsabilidade foi Yago Felipe. No jogo, a braçadeira mudou de dono outra vez e foi parar no braço de Zé Roberto. Essa ciranda não é detalhe, é sintoma. Capitão não é figurante, é liderança, referência, voz do vestiário no gramado. Quando a faixa vira objeto itinerante, a mensagem que passa é de improviso e falta de hierarquia clara.
A hora da mudança
É fato que o tempo é curto, quase cruel, para qualquer nova comissão técnica. Mas no caso do Santa Cruz não há espaço para discurso paciente. Quinta-feira é decisão. Contra o Sousa, pela Copa do Brasil, o mínimo exigido é vitória e, mais do que isso, sinais claros de mudança. Vencer é o ponto de partida para uma mudança tão esperada e desejada pelo seu torcedor.