Beto Lago: "A mistura proposital de conceitos contábeis das SAFs para inflar promessas"
Rodrigo Capelo, um dos maiores especialistas em finanças do futebol no Brasil, revela os verdadeiros investimentos das SAFs no país
Publicado: 28/01/2026 às 10:18
Torcida do Santa Cruz (Rafael Vieira)
Mistureba das SAFs
Vale e muito assistir ao vídeo do jornalista Rodrigo Capelo, diretor de conteúdo do Sport Insider e colunista do Estadão. Um dos maiores especialistas em finanças do futebol no País, Capelo desmonta uma prática que vem se tornando comum nas SAFs brasileiras: a mistura proposital de conceitos contábeis para inflar promessas. O exemplo da Portuguesa é didático. Vendida como uma “SAF bilionária”, anunciada em R$ 1,2 bilhão, o contrato revela algo bem diferente. O valor real de investimento no futebol é de R$ 263 milhões, mas até isso exige cuidado na leitura. Parte desse montante se refere a ativos intangíveis e imobilizados, como compra de atletas e obras estruturais, que entram na contabilidade como investimento. Já os gastos com futebol profissional, base e feminino (salários, prêmios, logística e manutenção) são despesas operacionais, dinheiro que sai do caixa mês a mês. Misturar tudo no mesmo pacote não é erro técnico. É estratégia de convencimento. Serve para criar, no imaginário do torcedor, a ilusão de uma SAF rica, poderosa e transformadora, projetada para 10, 15 anos. Uma narrativa sedutora para conselheiros pressionados, torcidas organizadas impacientes e clubes em colapso financeiro. O alerta de Capelo é claro: quando o contrato vem com de metas esportivas obrigatórias, como acesso à Série A em determinado ano, o risco aumenta. E pior: essa engenharia financeira vem se repetindo em várias SAFs pelo futebol brasileiro, com promessas que raramente resistem ao tempo.
A expectativa pelo novo treinador do Santa Cruz é enorme, mas a diretoria precisa ter frieza. Antes de fechar o nome, é fundamental saber quem está na lista de rejeição do torcedor. Começar um novo ciclo com um técnico sem respaldo popular é repetir erros. No Arruda, hoje, não há margem para apostas cegas. O clube precisa de alguém que chegue com ideia de jogo clara, capacidade de gestão de crise e, principalmente, aceitação mínima da arquibancada.
Rodada decisiva no Estadual
A rodada desta quarta-feira pode começar a desenhar o mapa final do Pernambucano. Com o Náutico já garantido diretamente na semifinal, o Sport pode assegurar a segunda vaga antecipada. Para isso, precisa vencer o Maguary, em Bonito, e torcer por tropeços de Retrô (que encara o Náutico, nos Aflitos) e Santa Cruz (contra o Jaguar, no Arruda). Se esses rivais vencerem, a decisão ficará para a última rodada, com um tempero extra: o Clássico das Multidões, na Ilha do Retiro, carregando peso técnico, emocional e político.
Zona de risco acesa
Na parte de baixo da tabela, o sinal de alerta já virou sirene. Com um ponto, o Vitória pode se aproximar perigosamente do rebaixamento se perder para o Decisão, no Sesc Goiana, e o Jaguar vence o Santa Cruz, no Arruda. Nesse cenário, o time de Jaboatão ainda sonharia com vaga na segunda fase, mas o futebol apresentado até aqui aponta mais consistência em Maguary e Decisão, que aguardam quem cairá do trio Sport, Retrô e Santa Cruz.