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História de Pernambuco será matéria obrigatória em grade curricular estadual

Diário Oficial oficializou a medida para as turmas de anos finais do ensino fundamental II nas escolas públicas integrais de Pernambuco

Ester Marques e Raianne Romão

Publicado: 16/01/2026 às 10:17

Valor é destinado para profissionais da educação da rede estadual de ensino/Foto: Filipe Jordão/SEE

Valor é destinado para profissionais da educação da rede estadual de ensino (Foto: Filipe Jordão/SEE)

A história de Pernambuco se tornará disciplina obrigatória na grade curricular das escolas estaduais em 2026, segundo divulgado no Diário Oficial do Estado da última quarta-feira (14).
A matéria será implementada nos anos finais do ensino fundamental II, como integrante da Parte Diversificada do Currículo (PD) nas escolas estaduais de Educação Integral de 30, 35 e 45 horas/aula.

Em todas essas categorias, ela deverá ser ministrada com carga horária de 160 horas.
Segundo a publicação oficial, “o ensino da História do Brasil deve considerar as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, com ênfase nas matrizes indígena, africana e europeia, garantindo que o currículo de História reflita a diversidade étnica e cultural do país”. Serão 342 escolas com a disciplina instituída neste ano de 2026. 

Essa nova medida possibilita que o estudo da história do estado seja considerada com uma relevância à parte do costumeiro padrão escolar, que considera o cenário nacional com maior ênfase, geralmente, em acontecimentos e marcos do Sudeste brasileiro. 

Na mesma instrução normativa, Pernambuco regulamenta o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena como componente curricular específico nas escolas estaduais, com o mesmo intuito de conectar os estudantes com o território e origens da cultura nacional.

“Estudar nossa história é desconstruir estereótipos e reafirmar quem somos”, afirma especialista

Para a professora Theila Soares, ensinar a disciplina de História de Pernambuco na rede estadual vai muito além do cumprimento de um conteúdo curricular. “Estudar a nossa história é afirmar a nossa identidade, fortalecer o sentimento de pertencimento ao que somos. Tudo isso é fundamental para formar cidadãos críticos, conscientes do lugar que ocupam na sociedade”, afirma a docente, graduada em História pela Universidade de Pernambuco (UPE) e especialista em metodologias ativas e tecnologias educacionais.

Segundo Theila, a história de Pernambuco ocupa um espaço reduzido nos livros didáticos adotados em grande parte do país. “Nós somos um dos maiores produtores de cultura do Brasil e os estudantes muitas vezes não sabem disso. Nos livros didáticos produzidos no Sul e Sudeste, Pernambuco aparece em meia página ou até mesmo em uma nota de rodapé. Em alguns casos, há apenas uma citação à Revolução Pernambucana e, dependendo da editora, nem isso. Pernambuco acaba ficando sempre à margem, tratado como um conteúdo complementar”, critica.

A professora destaca ainda a falta de aprofundamento em eventos históricos fundamentais. “Falamos da Revolução Pernambucana e da Insurreição Pernambucana, que são acontecimentos distintos, em séculos diferentes, mas que quase não recebem destaque nos materiais didáticos. Falar sobre a história de Pernambuco é trazer para a sala de aula a vivência do nosso território dentro da história do país. Não é possível contar a história do Brasil sem falar da história de Pernambuco, mas os livros não estão preparados para lidar com essa importância”, avalia.

Além da sala de aula, Theila chama atenção para o tipo de conteúdo consumido pelos adolescentes, geralmente concentrado no eixo Sul-Sudeste. Para a docente, o contato com a história e a cultura pernambucanas pode ajudar os estudantes a romper barreiras geográficas e simbólicas. 

“Vejo meus alunos reproduzindo sotaques e gírias paulistas. Muitos não consomem conteúdos locais porque não compreendem plenamente a nossa relevância. Quando trabalhamos a história de Pernambuco dentro da rede estadual, mostramos que a nossa cultura vai além do pertencimento: ela rompe barreiras, desconstrói estereótipos e reafirma quem somos”, conclui.

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