Motoristas de ônibus sofreram 1.372 casos de violência em 2026 no Grande Recife, informa sindicato
Motorista sofreu queimaduras em veículo incendiado na madrugada desta quarta e rodoviários fizeram protesto; números incluem agressões e assaltos, com 1.112 afastamentos por questões de saúde psicológica e 1.503 por problemas físicos
O ataque a um ônibus da linha 825 – Jardim Brasil/Joana Bezerra, que terminou com o motorista queimado na manhã desta quarta-feira (2), em Olinda, ocorre em meio a um cenário de aumento das ocorrências de violência contra trabalhadores do transporte público na Região Metropolitana do Recife. Segundo levantamento atualizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Pernambuco (SINTRO-PE), foram contabilizados 1.372 casos entre janeiro e agosto de 2026.
O número representa 89 ocorrências a mais em relação ao levantamento anterior, que contabilizava os casos registrados no primeiro semestre deste ano. De acordo com o sindicato, entre os registros, estão 442 assaltos no transporte público, 96 casos de violência física contra motoristas e 234 de violência verbal. Outros 600 episódios foram classificados como ocorrências não detalhadas comunicadas à entidade.
O levantamento também aponta 2.615 trabalhadores rodoviários afastados pelo INSS. Segundo os dados apresentados pelo SINTRO-PE, 1.112 afastamentos estão relacionados a questões de saúde mental e psicológica, enquanto 1.503 têm relação com problemas físicos.
Ataque desta quarta-feira
Na madrugada desta quarta-feira, um motorista que se preparava para iniciar uma viagem no Terminal de Jardim Brasil, em Olinda, foi abordado por criminosos e obrigado a conduzir o ônibus até outro ponto, onde o veículo foi incendiado. Segundo o presidente do SINTRO-PE, Roberto Carlos Torres, o ataque teria sido cometido para “dar um recado a alguém”.
O trabalhador sofreu queimaduras no rosto, nos cabelos e em uma das mãos. Após o episódio, linhas que circulam na região foram paralisadas e a categoria realizou um protesto na Avenida Agamenon Magalhães, na saída de Olinda, em frente ao Classic Hall.
Segundo Roberto Carlos, o motorista relatou ao sindicato que não pretende retornar à profissão após o episódio.
“Presidente, eu não quero mais voltar para essa profissão, eu não tenho mais segurança. Você sai para trabalhar e não tem a garantia de retornar”, teria dito o trabalhador ao sindicalista, enquanto recebia atendimento médico.
O presidente do sindicato afirmou que a entidade pretende acompanhar o caso e encaminhar o motorista para atendimento psicológico.
Sindicato cobra medidas de segurança
Na nota divulgada sobre o levantamento, o SINTRO-PE afirma que os números podem estar abaixo da realidade devido à subnotificação. Segundo a entidade, parte das ocorrências não chega a ser registrada em boletins de ocorrência e é comunicada apenas às empresas ou ao próprio sindicato.
Roberto Carlos também citou outros episódios recentes de violência contra trabalhadores, como agressões verbais, ataques com arma branca e perseguições. Segundo ele, houve casos de um motorista que teve a mão perfurada e de outro trabalhador que sofreu traumatismo craniano após agressões.
Diante do cenário, o SINTRO-PE cobra o reforço da segurança no transporte público, com ampliação do policiamento, de blitzes e de operações preventivas nas áreas de maior incidência.
Possibilidade de paralisação
Além das medidas de segurança, o SINTRO-PE também cobra uma reunião com o governo para discutir ações diante dos episódios de violência contra os trabalhadores. Segundo o sindicato, caso o encontro não seja realizado ainda nesta semana, existe a possibilidade de os motoristas de ônibus paralisarem as atividades.
A eventual greve ainda não foi confirmada pela categoria, mas a possibilidade foi levantada diante da insatisfação dos trabalhadores com as condições de segurança no transporte público. O sindicato afirma que aguarda uma definição sobre a reunião para decidir os próximos passos.