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José Patrício volta ao Recife após 9 anos com exposição inédita que une arte e matemática

Em "A Dança Matemática das Cores", o artista pernambucano José Patrício utiliza princípios matemáticos e materiais do cotidiano em 12 peças

Allan Lopes

Publicado: 07/10/2026 às 06:00

José Patrício extrai elementos do cotidiano e da matemática em seu trabalho/Foto: Rafael Salim

José Patrício extrai elementos do cotidiano e da matemática em seu trabalho (Foto: Rafael Salim)

Muitos podem pensar que matemática e arte não dialogam entre si. De um lado, números e operações imutáveis; do outro, formas, cores e liberdade criativa. Na obra de José Patrício, porém, a conta fecha. E não é preciso ser bom em cálculo para chegar ao resultado.

Em sua nova exposição no Recife, intitulada “A Dança Matemática das Cores”, o artista pernambucano revisita elementos de seu repertório ligado à cultura popular e os coloca em diálogo com referências da arte e do design contemporâneos. A abertura para o público em geral acontece nesta sexta-feira (9), na Galeria Amparo 60, em Boa Viagem. A visitação é gratuita e segue até 28 de novembro.

Com curadoria de Diego Matos, a exposição reúne uma produção baseada no uso de módulos encontrados no cotidiano e ressignificados por José Patrício. “São objetos que estão na vida comum, que encontrei e sobre os quais comecei a pesquisar as possibilidades de utilização desses materiais”, comenta.

A pesquisa gerou 12 obras inéditas, divididas em duas propostas: seis trabalhos feitos com botões, que dão vida às séries “Espirais Cromáticas” e “Progressões Cinéticas” através de jogos sequenciais e movimentos racionais; e seis peças estruturadas com quebra-cabeças, que formam progressões tonais e circuitos com uma organização mais caótica, inspirada na dinâmica das estrelas e no fluxo das formigas.

Dentro desse caos ordenado, a lógica matemática ocupa um papel central e estabelece uma relação particular com a criação artística. O interesse de Patrício por essa dualidade surgiu a partir do trabalho desenvolvido com peças de dominó, que posteriormente o levou a explorar outros materiais e diferentes possibilidades de composição.

“Todas essas obras envolvem operações de multiplicação e de divisão para chegar a um resultado final”, afirma. “Meu trabalho tem esse viés matemático pela escolha de lidar com a previsibilidade e, ao mesmo tempo, com aquilo que não pode ser completamente definido por regras”, explica o artista.

Nas últimas três décadas, o pernambucano construiu um caminho próprio e reconhecível. Enquanto suas telas transitam entre o acaso e a imprevisibilidade, o reconhecimento nacional de José Patrício, por outro lado, não deixa espaço para dúvidas.

A capacidade de transformar conceitos complexos em padrões visuais marcantes consolidou uma linguagem única e se tornou uma das principais marcas de sua autoria. “Quando estou construindo, tenho a possibilidade de fazer escolhas que acontecem de maneira absolutamente aleatória.”, destaca.

A constância também faz parte do processo criativo de Patrício. Todos os dias, ele retorna ao ateliê para a elaboração de novas peças, sempre impulsionado pela vontade de experimentar e criar. Para executar algumas dessas obras, que podem reunir milhares de elementos, o artista conta com o auxílio de assistentes.

“São obras que exigem um trabalho, muitas vezes, bastante cuidadoso e atencioso. Eu preciso de muita concentração. Não teria condição de fazer isso sozinho. Então, preciso da ajuda desses assistentes para poder construí-las”, justifica.

A última exposição individual de Patrício no Recife aconteceu em 2017, no Museu do Estado. Desde então, apesar de continuar morando na cidade, o artista tem apresentado seu trabalho em outros lugares, como na Galeria Nara Roesler, em São Paulo, e no Paço Imperial, no Rio de Janeiro.

O retorno à capital pernambucana acontece em parceria com a Galeria Amparo 60, com quem Patrício trabalha há mais de 20 anos. “É muito bom poder apresentar essas obras em uma exposição, porque elas têm um alcance muito maior. As pessoas vão tomar conhecimento do trabalho, poder vê-lo de perto, e esse contato com o público é muito interessante”, comemora.

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