Luana Tavares lança disco que celebra ancestralidade negra: "Escrever é uma maneira de estar viva"
Cantora pernambucana Luana Tavares traz faixas inspiradas na cultura da Zona da Mata Norte, com sonoridade baseada em percussões e referências afrobrasileiras
Publicado: 05/10/2026 às 06:00
Natural de Goiana, na Zona da Mata Norte, Luana Tavares canta suas origens com orgulho (Foto: Beto Figueiroa)
O primeiro álbum de Luana Tavares nasce de um lugar que é, ao mesmo tempo, íntimo e coletivo. No trabalho batizado com seu próprio nome, já disponível nas plataformas digitais, ela não se limita a contar sua própria história e levanta questões sobre o que significa ser uma mulher negra atravessada pela ancestralidade afro-brasileira.
O resultado é um disco profundamente ligado à identidade pernambucana e que, a partir das vivências particulares da cantora em Goiana, na Zona da Mata Norte, encontra uma maneira própria de fazer esse território pulsar ao som de referências da presença africana e da música de terreiro.
Com nove músicas autorais, seis delas inéditas, o projeto nasce do desejo de Luana em ser ouvida. “Sou uma mulher do interior e trago essa bagagem de ter uma voz diante de toda essa demarcação histórica de silenciamento de artistas e mulheres negras. Para mim, escrever é uma maneira de estar viva”, afirma a cantora, integrante da Mostra Reverbo, em entrevista ao Diario.
Na contramão de álbuns que compilam singles independentes, “Luana Tavares” mantém um fio condutor que conta uma história. “Acho que vem muito desse lugar de dizer: eu existo. Então, vocês também vão ouvir a minha voz. E, junto dela, existem muitas outras vozes”, ressalta.
O encontro com outros artistas aparecem ao longo do disco em parcerias com a cantora e compositora Isaar, a cantora e atriz Gabi da Pele Preta, o cantor e compositor Jonatas Onofre, o músico Hélio Abulidu e o compositor e cantor Juliano Holanda, que também assina a produção e a direção musical.
A produção artística é de Mery Lemos. Todos são conterrâneos de Luana, reforçando o caráter local do álbum, que aposta em uma sonoridade marcada pela percussão, mas sem o uso de bateria. “É um disco do meu jeito pernambucano de sentir as coisas”, observa a cantora.
Mesmo depois de deixar fisicamente a cidade, Goiana continua presente em Luana. Em “Boca da Mata”, a cantora retorna à Zona da Mata pela música para elaborar, a partir da própria vivência, uma percepção particular sobre o território e o que significa pertencer a ele.
“Goiana tem uma fertilidade cultural e poética muito grande. Sempre fui atravessada por muitos brinquedos populares e por uma sonoridade muito nossa, do maracatu, do caboclinho, do forró. Acho que não teria como deixar isso de fora desse trabalho, porque faz parte da construção da mulher que sou hoje e de tudo o que me impulsionou até este momento”, conclui.
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