Maestro Roberto Tibiriçá morre aos 72 anos em São Paulo
Regente e referência da música clássica brasileira lutava contra um câncer há dois anos; velório acontece no Theatro Municipal de São Paulo
Publicado: 03/10/2026 às 16:37
Regente e referência da música clássica brasileira, o maestro Roberto Tibiriçá lutava contra um câncer há dois anos; velório acontece no Theatro Municipal. (Divulgação)
O maestro Roberto Tibiriçá morreu neste sábado (3), aos 72 anos, em São Paulo. O músico lutava contra um câncer há cerca de dois anos. A informação foi confirmada pelo perfil oficial do Theatro Municipal de São Paulo no Instagram.
A instituição destacou que o legado de Tibiriçá "permanece na música brasileira, nas orquestras que regeu e, sobretudo, nas gerações de músicos que tiveram suas trajetórias marcadas por seu trabalho e dedicação à formação musical."
O velório, aberto ao público, será realizado no Salão Nobre do Theatro Municipal neste sábado (3), das 18h às 22h, e prossegue no domingo (4), das 8h às 12h, na Sala de Espetáculos. O sepultamento está previsto para às 13h de domingo, no Cemitério São Paulo.
Relação com a música começou na infância
Em entrevista à Rio TV Câmara, em 2017, Tibiriçá falou sobre a paixão pela profissão: "[A regência para mim] é tudo, cara. Não é uma coisa de vaidade, é uma coisa de comando."
"Acredito que a regência de uma orquestra é uma das profissões que mais exigem disciplina. O músico, na verdade, não pode falar — ele tem que tocar. E existe o gesto do regente, uma coisa meio neurótica. Eu falo 'bom dia', os músicos já se preparam. Eu relaxo, eles relaxam", disse na ocasião.
Aos 5 anos de idade, Roberto Tibiriçá ganhou seu primeiro piano de brinquedo por influência da família — a mãe era música e a avó, pianista na época do cinema mudo.
Ao longo de sua carreira, destacou-se à frente de grupos como a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, a Sinfônica do Paraná e a Petrobras Sinfônica. No exterior, regeu a Orquestra Simón Bolívar, na Venezuela.
O maestro recebeu prêmios prestigiados como o APCA, o Prêmio Carlos Gomes e a comenda da Ordem do Ipiranga. Em 2024, foi agraciado com o título de Doutor por Notório Saber pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Em 2005, tornou-se diretor do Instituto Baccarelli, liderando o projeto que consolidou a Orquestra Sinfônica de Heliópolis. Ocupava a cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Música desde 2003 e, desde 2018, era membro honorário da Academia Nacional de Música.
Entre suas principais referências musicais, citava Eleazar de Carvalho (1912-1996) e os compositores russos Dmitri Shostakovitch (1906-1975), Sergei Rachmaninoff (1873-1943), Sergei Prokofiev (1891-1953) e Piotr Ilitch Tchaikovski (1840-1893).