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Pernambucana que perdeu as pernas na infância lança livro sobre capacitismo e direito à inclusão

Livro "O Capacitismo Entre Nós" reúne relatos e reflexões de Giselle Freitas sobre capacitismo, inclusão, acessibilidade e os desafios enfrentados por pessoas com deficiência

Diario de Pernambuco

Publicado: 25/09/2026 às 16:44

Giselle Freitas usa experiência pessoal para discutir capacitismo em livro/Foto: Acervo Pessoal

Giselle Freitas usa experiência pessoal para discutir capacitismo em livro (Foto: Acervo Pessoal)

Aos três anos de idade, Giselle Freitas perdeu as duas pernas após ser atropelada por um ônibus. Mais de quatro décadas depois, a experiência pessoal deu origem a "O Capacitismo Entre Nós", livro publicado pela Viseu que parte da trajetória da autora para discutir como o preconceito contra pessoas com deficiência se manifesta nas relações, no trabalho, na família e em diferentes espaços da sociedade. A obra já está disponível para compra na Amazon.

Aos 46 anos, a empreendedora e escritora decidiu revisitar sua história não apenas para narrar o que viveu, mas para refletir sobre situações que durante muito tempo foram naturalizadas. O livro percorre diferentes fases de sua vida e aborda temas como escola, família, mercado de trabalho, acessibilidade, representatividade, autoestima e saúde emocional.

Entre os assuntos discutidos estão também a diferença entre proteção e autonomia, o preconceito revelado no ambiente profissional, a violência presente em pequenas frases e o cansaço de pessoas com deficiência em precisar provar constantemente sua capacidade. Em um dos capítulos, a autora defende que “inclusão não é favor, é direito”, ampliando a discussão para além da acessibilidade física e questionando as condições de participação e pertencimento oferecidas pela sociedade.

Para Giselle, compreender o capacitismo exige olhar para além das situações explícitas de discriminação. “Este livro não foi escrito para pedir permissão. Também não foi escrito para inspirar no sentido superficial que tantas vezes se espera de pessoas com deficiência. Ele foi escrito para confrontar. Para trazer à tona aquilo que muita gente prefere não ver”, afirma.

A autora frisa que o capacitismo está presente em relações cotidianas, instituições e discursos aparentemente inclusivos. “Comecei a notar o quanto o capacitismo atravessa as relações mais comuns, as instituições mais respeitadas, os discursos mais bonitos. O capacitismo organiza possibilidades de vida”, escreve Giselle.

A escolha da data do lançamento também carrega um significado especial. O evento ocorre na semana do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro. A proximidade com a data reforça a proposta do livro de ampliar a discussão sobre capacitismo e estimular uma reflexão que envolva não apenas as pessoas com deficiência, mas também familiares, educadores, profissionais, empresas e a sociedade de forma geral.

Com uma abordagem que combina relato autobiográfico e reflexão social, "O Capacitismo Entre Nós" busca dar nome a experiências muitas vezes naturalizadas e questionar a ideia de que pessoas com deficiência precisam ser vistas como exceção, inspiração ou dependentes de concessões. Para Giselle, falar sobre capacitismo é também discutir autonomia, oportunidades e o direito de ocupar diferentes espaços em condições de igualdade.

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