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30 anos de "Afrociberdelia": Nação Zumbi celebra disco com orquestra de 40 músicos no MIMO Olinda

Nação Zumbi leva "Afrociberdelia" para o universo sinfônico em show especial de 30 anos na Praça do Carmo, durante o MIMO Festival

Allan Lopes

Publicado: 25/09/2026 às 06:00

Henrique Albino assume a função de regente em show de

Henrique Albino assume a função de regente em show de "Afrociberdelia" (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)

Três décadas depois do lançamento, o lendário “Afrociberdelia” (1996), da Nação Zumbi, permanece vivo, pulsante e aberto a novas transformações. É uma obra-prima que parece nunca se esgotar em possibilidades. A forma como aglutinou universos tão diferentes, do maracatu ao rock, continua permitindo a entrada de elementos que, à primeira vista, poderiam parecer distantes, como a música sinfônica.

É assim que o disco será apresentado neste domingo (27), às 20h, com o espetáculo “Nação Zumbi Sinfônico - 30 anos de Afrociberdelia”, na Praça do Carmo, em Olinda, dentro da programação do festival MIMO. A banda será acompanhada por uma orquestra com 40 músicos, sob a regência de Henrique Albino e com arranjos de Mateus Alves, que trabalhou sobre as 18 faixas. O Diario acompanhou o último ensaio antes do show na quinta-feira (24), no Teatro de Santa Isabel, e conversou com os artistas envolvidos no projeto.

Sucessor de “Da Lama ao Caos”, “Afrociberdelia” foi um sucesso absoluto de vendas na época do lançamento, com cerca de 100 mil cópias comercializadas. Ao longo dos anos, no entanto, ganhou uma dimensão ainda maior. Além de registrar os vocais de Chico Science pela última vez em estúdio, tornou-se uma obra cultuada pela sonoridade revolucionária, por clássicos como a versão de “Maracatu Atômico” e “Manguetown”, e pelo impacto que exerce sobre as novas gerações.

“Tem obras que não envelhecem. Pelo contrário, se destacam ainda mais com o passar do tempo. Três décadas depois, poder celebrar isso é muito especial para a gente. E fazer isso ao lado de uma orquestra é uma honra”, festeja o vocalista Jorge Du Peixe, que divide a formação atual com Dengue (baixo), Toca Ogan (percussão), Marcos Matias e Da Lua (tambores), Tom Rocha (bateria) e Neilton Carvalho (guitarra).

O espetáculo é apenas uma das parcerias da Nação Zumbi com Henrique Albino. Antes de assumir a regência da apresentação, o multi-instrumentista e arranjador pernambucano também trabalhou nos arranjos do novo álbum do grupo, previsto para outubro, e participou das gravações tocando instrumentos de sopro. Quando descobriu o projeto sinfônico, tratou logo de deixar claro que queria estar nele.

Para Albino, a proposta dialoga diretamente com o trabalho que vem desenvolvendo e intitula como “Música Tronxa”, que mistura matemática, jazz contemporâneo e música pernambucana. “Eu fiquei insistindo, até as pessoas perceberem que realmente dava certo. Agora está acontecendo, e todo mundo vai ver que pode dar ainda mais certo”, celebra o artista.

Com arranjos assinados para trabalhos de Emicida, Liniker, Rubel e outros artistas nacionais, Henrique Albino assume desta vez um papel diferente. Os arranjos de “Afrociberdelia” ficaram a cargo de Mateus Alves, que também assina a trilha sonora original de “O Agente Secreto”, ao lado de Tomaz Alves Souza.

Coube a Albino, portanto, interpretar as ideias do arranjador e traduzi-las para a orquestra. “‘Afrociberdelia’ é revolucionário porque mistura conceitos de música eletrônica e acústica, além de incorporar samples de referências regionais e internacionais. É um disco que mostra como a música pernambucana consegue se conectar com o mundo de diferentes formas”, explica.

A apresentação em Olinda também carrega um significado especial para a Nação Zumbi. A identidade da banda, profundamente ligada à cultura pernambucana, também está entranhada nas ladeiras, nos sons e na história da cidade.

“O MIMO é um festival que valoriza o patrimônio histórico e arquitetônico. A gente já tocou no MIMO de Amarante, em Portugal, e agora vai participar pela primeira vez do festival aqui. E é muito bom fazer isso ao lado de uma orquestra local. A maioria dos músicos cresceu ouvindo esses discos e está muito à vontade com essa malemolência da música local. Isso é muito bom”, afirma Du Peixe.

MIMO Festival

A programação do MIMO começa nesta sexta-feira (25), com o retorno do evento a Olinda, cidade onde nasceu, em 2004. Às 18h, a premiada violonista Gabriele Leite apresenta um concerto na Igreja do Carmo. No Mosteiro de São Bento, às 20h, Cida Moreira celebra a obra de Angela Ro Ro no espetáculo “Me acalmo danando – A música de Angela Ro Ro”.

Já na Praça do Carmo, palco central da programação musical, o BaianaSystem faz um dos shows mais esperados pelo público. Até domingo (27), as ladeiras, igrejas, praças e espaços culturais do Sítio Histórico recebem música, cinema, formação, pensamento e manifestações da cultura local.

A programação completa pode ser conferida no site oficial do MIMO.

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