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Em conferência no Recife, Alceu relembra mudança para a França durante ditadura: "Estava de saco cheio"

Alceu Valença relembra temporada em Paris e bastidores da carreira em conversa dentro da programação do Porto Musical

Allan Lopes

Publicado: 03/09/2026 às 18:55

Alceu Valença contou curiosidades dos seus 80 anos em conferência/Foto: Karol Rodrigues/DP Foto

Alceu Valença contou curiosidades dos seus 80 anos em conferência (Foto: Karol Rodrigues/DP Foto)

Aos 80 anos, Alceu Valença voltou no tempo para relembrar histórias de sua vida e carreira na tarde desta quinta-feira (4). Em um auditório lotado, no Paço do Frevo, o cantor e compositor participou da conferência “80 Girassóis de Alceu Valença”, dentro da programação de debates e encontros do Porto Musical.

De sua infância em São Bento do Una aos dias de hoje, Alceu conduziu o público por diferentes capítulos de sua trajetória ao longo de pouco mais de 1h30 de conversa. O encontro foi mediado pelo jornalista e escritor Julio Moura, autor da biografia oficial do cantor pernambucano, “Pelas Ruas que Andei – Uma Biografia de Alceu Valença”.

Em um dos momentos, o artista contou porque decidiu deixar o Brasil e se mudar para Paris durante a ditadura militar. Segundo ele, o cenário conturbado do país, além da prisão de vários amigos, despertou um forte incômodo. “Eu fui para a França porque estava de saco cheio”, relata. “Apesar de todos os percalços, a democracia é um milhão de vezes melhor”, afirma Alceu.

Ainda assim, a ida para a capital francesa aconteceu quase por acaso, depois que reencontrou um antigo colega do Náutico, onde jogava basquete, e o ajudou a estabelecer os primeiros contatos por lá. Em Paris, passou a fazer shows ao lado do guitarrista Paulo Rafael, que viria a ser um dos seus grandes parceiros.

A rotina mudou após uma jornalista francesa, que havia morado em Garanhuns, publicar uma matéria sobre a dupla no jornal Libération. “Para sair no jornal era muito complicado. Entupiu o nosso show”, conta. Morando em um pequeno apartamento na Avenida Charles-de-Gaulle ele aproveitava os dias sem compromissos para tocar violão durante horas. “Era uma das coisas mais loucas que eu mais gostava de fazer”, destaca.

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