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Peça do espanhol García Lorca sobre convenções sociais impostas às mulheres é adaptada ao Nordeste

Duas sessões gratuitas do espetáculo 'Yerma Atemporal — Voz de Mulher' serão realizadas no Teatro Barreto Júnior, nesta quinta (3) e nesta sexta (4), às 15h

André Guerra

Publicado: 03/09/2026 às 06:00

As duas sessões do espetáculos serão gratuitas/Foto: Franklin Almeida

As duas sessões do espetáculos serão gratuitas (Foto: Franklin Almeida)

Transportando o universo poético do dramaturgo espanhol Federico García Lorca (1898-1936) para a realidade nordestina, o espetáculo "Yerma Atemporal — Voz de Mulher" mergulha em questões morais que persistem exercendo pressão no existir feminino.

Chegando ao Teatro Barreto Júnior para duas sessões gratuitas, nesta quinta (3) e sexta-feira (4), às 15h, a peça promoverá ainda atividades formativas de diálogo com o público, que vem sendo construído desde a primeira montagem, em 2023. Canto e percussão executados ao vivo, com música original composta pelo diretor Newton Moreno, embalam a atmosfera sonora do projeto, adaptado pela atriz e pesquisadora Simone Figueiredo, que também assina a direção.

Ao Diario, ela descreve “Yerma Atemporal” como uma ponte entre dois mundos que, apesar da distância, possuem um diálogo estreito. “Os problemas das mulheres são, em boa parte, os mesmos que Lorca escreveu lá em 1934. O sul da Espanha e a região Nordeste compartilham de semelhanças identificadas por grandes autores, inclusive Ariano Suassuna”, ressalta.

A atriz, que vem estudando a sociedade espanhola desde o curso de Letras (Espanhol) na Universidade Federal de Pernambuco, afirma que, após os anos 1980, o país europeu passou por diversas alterações nos valores relacionados às mulheres, mas o conservadorismo permanece forte.

“A imposição machista para casar e ser mãe, principalmente, é algo que faz parte da nossa sociedade na mesma medida em que na deles. Mesmo que tenhamos evoluído, especialmente no tocante à independência feminina no trabalho, essa questão da maternidade como função social é algo que eu, inclusive, como mulher sem filhos, enfrento no meu entorno”, declara Simone.

A tragédia moderna traz um elenco composto por Célia Regina, Fernanda Spíndola, Kadydja Erlen, Lucas Oliveira, Luciana Cavalcanti, Luciana Lemos, Tarcisio Vieira e Vanise Souza, e os músicos Douglas Duan, Arnaldo do Monte e Paulinho Folha. Em 2023, participou do Festival Recife do Teatro Nacional, além do Janeiro de Grandes Espetáculos, Palco Giratório e Pernambuco Meu País.

OFICINA TEATRO-DANÇA

Como atividade paralela voltada para mulheres, a oficina "Teatro-Dança e o Sagrado Feminino – A Dança dos Elementos" será ministrada, dia 4 de setembro, das 9h às 12h, pela atriz, bailarina e pesquisadora Sandra Rino. O encontro propõe uma experiência imersiva de criação e reconexão através do corpo, do movimento e da simbologia dos quatro elementos da natureza: Terra, Água, Fogo e Ar.

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