Cineasta Petrônio Lorena volta ao rock psicodélico em novo EP ao vivo de Petrônio e as Criaturas
Novo EP de Petrônio Lorena e as Criaturas reúne seis faixas gravadas ao vivo e reforça o diálogo entre música e cinema na trajetória do artista pernambucano.
Publicado: 01/09/2026 às 06:00
Banda Petrônio e as Criaturas traz canções mais intimistas em "Mergulho Ao Vivo" (Foto: Divulgação)
O cineasta e músico pernambucano Petrônio Lorena nunca pareceu muito interessado em escolher uma única linguagem para chamar de sua. Na música, ele cria canções que se esgueiram por diferentes atmosferas e, no cinema, investiga possibilidades de olhar e construir narrativas. Essa inquietação, que transita entre as duas linguagens, ganha mais um capítulo com “Mergulho Ao Vivo”, novo EP do grupo Petrônio e as Criaturas, já disponível nas plataformas digitais.
A gênese do projeto está em uma circunstância improvável. Durante a pandemia da Covid-19, a banda realizou uma live transmitida pelo YouTube. A apresentação, no entanto, teve interpretações tão espontâneas e uma qualidade sonora tão consistente que o produtor Fernando S. decidiu levar o material para remixagem e masterização.
Pela experiência de mais de duas décadas com o cinema, Petrônio observou que o registro também poderia existir sem imagens. “As canções são fortes, de impacto, e carregam um nível de visceralidade, cada uma à sua maneira”, descreve o vocalista, natural de Serra Talhada, em entrevista ao Diario.
As seis faixas reunidas no trabalho pertencem a diferentes momentos da carreira de Petrônio Lorena. Algumas foram compostas ainda nos anos 1990, mas aparecem no EP com arranjos mais intimistas e adaptados para formações de violão e violão de 12 cordas ou de violão e violino. “Todos os arranjos foram concebidos ou adaptados para ter essa pegada, com menos notas e um som que privilegiasse a letra da música”, diz o artista.
“Desenho de Nuvens” e “Voadores” são as canções que mais explicitam o diálogo entre a música de Petrônio e sua produção cinematográfica. A primeira integra a trilha sonora do documentário “O Silêncio da Noite é que Tem Sido Testemunha das Minhas Amarguras”, enquanto a segunda também traz uma construção voltada à imagem. “Quando componho, penso em cenas, climas e sonoplastia. Não penso apenas em um jogo harmônico e melódico, ou, no caso de uma canção, somente na letra”, comenta.
“Penso no clima, no contexto e no que a música transmite. Procuro entender o que o tema pede e qual tratamento musical ele demanda. Levo isso também para o cinema. Muitas vezes, tiro a letra, deixo apenas o instrumental e uso a música para ambientar determinadas cenas”, completa.
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