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Após sessões esgotadas no Rio, musical que celebra vida e obra de Alceu Valença chega ao Recife

Musical "Anunciação" desembarca no Teatro do Parque para cinco sessões, celebrando os 80 anos de Alceu com uma narrativa não-linear

Allan Lopes

Publicado: 29/08/2026 às 06:00

Musical

Musical "Anunciação" celebra os 80 anos de Alceu Valença com uma dramaturgia construída a partir do imaginário do artista (Foto: Any Duarte)

Existe algo naturalmente indomável na mitologia valenciana que parece escapar a qualquer tentativa de reproduzi-la em métodos convencionais. Portanto, ao invés de domesticar esse universo, o espetáculo “Anunciação - O Musical de Alceu Valença” abraça a liberdade, a irreverência e o caráter poético do artista pernambucano.

Depois de uma temporada de 18 sessões lotadas no Rio de Janeiro, a montagem enfim chega ao Recife, no Teatro do Parque, para cinco apresentações entre a próxima quarta-feira (2) e domingo (6). Os ingressos variam de R$ 60 a R$ 120 e ainda estão disponíveis no Sympla para todas as sessões.

“Anunciação” nasceu no embalo dos 80 anos de Alceu, celebrados no dia 1º de julho, mas não se limita a revisitar essa trajetória em ordem cronológica. Idealizado por Miguel Colker, com direção artística de Duda Maia, o musical embaralha épocas, lugares e referências para mergulhar no imaginário do cantor.

“O espetáculo é todo embrenhado em tudo o que Pernambuco tem de mais lindo, e boa parte disso está presente em Alceu e nas poesias dele”, afirma Colker em entrevista ao Diario. A ideia se desdobra em uma dramaturgia de Duda Rios e Luiza Loroza, direção musical de Ricco Viana e preparação vocal de Beto Lemos.

Sem protagonistas ou personagens fixos, os oito atores em cena assumem um papel de “brincantes”, como são chamados os participantes dos folguedos populares, transitando livremente pelo palco. “É claro que seguimos uma estrutura e um texto, mas existe liberdade dentro deles. A peça nunca é exatamente igual, porque os atores dançam, tocam e cantam de maneiras diferentes a cada apresentação”, explica Duda Maia.

O ator pernambucano integra um elenco formado majoritariamente por nordestinos, ao lado de Luiza Loroza, Maria Pérola, Juzé, Jef Lyrio, Natasha Falcão, Beto Lemos, Rafael Lorga e Duda Rios.

“Anunciação”, “La Belle de Jour”, “Tropicana” e “Como Dois Animais” estão entre as cerca de 35 músicas que costuram a narrativa e a atmosfera mágica do espetáculo. Um dos momentos mais marcantes é o encontro amoroso entre Recife e Olinda, vividas como um casal por Duda Rios e Natascha Falcão.

É uma solução das muitas encontradas pela montagem para percorrer, de maneira lúdica e não linear, a trajetória do Bicho Maluco Beleza. “Fica muito clara a importância de apresentar os diferentes universos de Alceu, mas também existe o desejo de emocionar as pessoas da mesma maneira que ele nos emociona, com suas múltiplas formas de criação e suas diferentes inspirações”, comenta Miguel Colker.

A carreira de Duda Rios perpassa projetos sobre grandes ícones da cultura brasileira há muitos anos, como é o caso do sucesso “Gonzagão: A Lenda”, e a peça “Jacksons do Pandeiro”. Desta vez, em “Anunciação”, a experiência é diferente das anteriores por ter o próprio homenageado vivo, ativo e acompanhando a celebração de seus 80 anos.

“Tive dois encontros com Alceu e a sua esposa, Yanê, no começo do processo de produção do texto. Encontrá-lo só me deu mais confiança de que eu podia enlouquecer, pirar e experimentar”, destaca o ator.

Poucas coisas poderiam legitimar mais uma homenagem a Alceu Valença do que o próprio artista reconhecer o trabalho feito sobre sua obra. Mas essa aprovação não decorre da pretensão de compreender sua genialidade ou estar à altura dela, e sim da paixão compartilhada por tudo aquilo que compõe o universo valenciano.

“É um espetáculo feito por muitas pessoas que são apaixonadas não apenas por Alceu e pela obra dele, mas por Pernambuco, pelo Brasil, pela nossa língua, pela nossa cultura e pela nossa poesia”, diz Colker.

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