Primeiro grupo de K-pop no Rock in Rio, Stray Kids apresenta fase menos explosiva em novo disco
Stray Kids estreia no Rock in Rio 2026 como primeiro grupo de K-pop a se apresentar no festival e leva o 10º mini-álbum ao Palco Mundo
Publicado: 12/08/2026 às 06:00
Stray Kids leva repertório do novo mini-álbum ao Rock in Rio (Foto: Mike Coppola/Getty Images via AFP)
Não é apenas a presença de lendas da música, como Elton John e Avenged Sevenfold, que tornará o Rock in Rio 2026 memorável. Em sua 25ª edição, o evento registra um marco histórico, protagonizado por um nome que vem diretamente da Coreia do Sul: o Stray Kids.
Um dos maiores fenômenos do K-pop, o octeto será o primeiro grupo sul-coreano a se apresentar na Cidade do Rock em mais de três décadas de festival. Headliner do dia 11 de setembro, no Palco Mundo, eles vão trazer o repertório da turnê “RUN IT”, que reúne grandes sucessos da carreira e faixas do novo mini-álbum, “THIS & THAT”, já disponível nas plataformas digitais.
Formado em 2017 por meio de um reality show da JYP Entertainment, o Stray Kids debutou no ano seguinte com o mini-álbum “I AM NOT”. A partir dali, Bang Chan, Lee Know, Changbin, Hyunjin, Han, Felix, Seungmin e I.N desenvolveram uma assinatura própria, marcada por performances intensas e pela combinação de elementos da música eletrônica e do hip-hop.
No décimo mini-álbum, entretanto, o octeto opta por um caminho com sintetizadores suaves e arranjos menos carregados. A decisão é legítima diante de um K-pop cada vez mais saturado e condicionado por uma dinâmica que favorece fórmulas conhecidas, mas “THIS & THAT” carece de fôlego. Ironicamente, o esforço do grupo para soar contido resultou em um dos trabalhos menos expressivos de sua discografia.
“RUN IT” abre o mini-álbum em grande estilo e talvez seja o ponto alto entre as oito faixas. Não por acaso, a música batiza a atual turnê e promete inflamar os fãs brasileiros no Rock In Rio. Coincidência ou não, também é a faixa que mais se aproxima do Stray Kids que o público já conhece.
Acompanhada por tambores imponentes e um arranjo de metais, constrói uma atmosfera épica digna de outras grandes aberturas dos coreanos, como “Hall of Fame”, de “5-Star”, e “MEGAVERSE”, de “Rock-Star”.
Na sequência, a faixa-título “This & That” deixa de lado a eletricidade, mas compensa com batidas envolventes, daquelas que se tornam difíceis de ignorar. O problema é que os vocais não aproveitam esse potencial: entregues de maneira sonolenta e monótona, diminuem a energia da produção. O refrão, repetido à exaustão, tampouco consegue criar um gancho memorável. A ideia de “isso e aquilo” pode render bons conteúdos para o TikTok, mas é insuficiente para sustentar a faixa por si só.
Há, sim, uma tentativa de mudança, mas ela parece mais significativa para o próprio Stray Kids do que para o K-pop. As duas primeiras citadas ainda demonstram alguma personalidade, apesar das ressalvas, mas “After You” e “I Do” se perdem em uma sonoridade que pouco diferencia o octeteto de tantos outros, tornando a experiência soar mais arrastada do que instigante.
“Farming”, por outro lado, retoma a intensidade que parecia faltar às faixas anteriores. A música se apropria de gírias dos jogos e da internet para comentar a pressão por produtividade constante, enquanto a percussão pulsante e os sons metálicos criam uma atmosfera inquieta, quase mecânica, que prende a atenção até o último segundo.
Ainda assim, não é a intensidade que define, sozinha, o que funciona ou não no álbum. “Way Out” apresenta uma sonoridade mais intimista, de electro-R&B com batidas de trap, e se mostra igualmente saborosa de escutar.
A despeito do remix de festival da faixa-título, que encerra o álbum, “Back Then” é a última, a mais longa, com 3min45, e também a mais ensolarada das sete músicas. A faixa aposta em uma sonoridade nostálgica, com referências aos anos 1980, e conduz o disco a um encerramento agradável.
É um bom ponto final para um trabalho oscilante, que entrega bons e maus momentos. No Rock in Rio, o grupo terá a oportunidade de testar a força desse repertório diante de uma plateia e em uma dinâmica bem diferentes das encontradas no álbum.
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