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Aos 88 anos, Martinho da Vila faz última grande turnê com Mart’nália para celebrar o laço entre pai e filha

Aos 88 anos, Martinho da Vila faz sua última grande turnê com a filha, Mart’nália, com passagem em Pernambuco programada para 17 de outubro, no Classic Hall

Allan Lopes

Publicado: 08/08/2026 às 06:00

Martinho da Vila e Mart’nália unem trajetórias e repertórios na turnê

Martinho da Vila e Mart’nália unem trajetórias e repertórios na turnê "Pai e Filha" (Foto: Patrick Gomes)

Antes de se tornar um dos maiores expoentes do samba, Martinho da Vila foi sargento do Exército. No fim dos anos 1960, dividia a rotina entre o quartel e os festivais de música na televisão. Em casa, porém, a farda quase não aparecia. Para a pequena Mart’nália, que via o pai toda semana cantando na TV, era difícil entender como aquelas duas figuras podiam ser a mesma pessoa.

Hoje, aquela dúvida deu lugar a uma cena que talvez aquela menina não imaginasse: Mart’nália e Martinho dividem o palco e percorrem juntos o país com a turnê “Pai e Filha”, a primeira realizada pelos dois juntos. Uma parceria que, de tão óbvia, parecia estar apenas esperando o momento certo para acontecer, justamente na última grande excursão de Martinho.

Quando fala do pai fora dos palcos, Mart’nália troca o ídolo do samba pelo “paizão” que conhece desde a infância. “Ele é muito bobão, brincalhão, adora piada e gosta de rir da própria piada. Às vezes, conta a mesma coisa de novo. Não fica dando exemplo ou querendo ensinar nada. Ele vai mostrando com a própria vida e levando todo mundo junto. É uma relação de muito carinho, respeito e admiração”, diz a artista em entrevista ao Diario.

Em razão do cansaço das longas horas de voo, Martinho da Vila, aos 88 anos, decidiu desacelerar o ritmo de suas viagens. Até pouco tempo, no entanto, as parcerias com Mart’nália se limitavam a participações breves nos shows e festivais.

“Pai e Filha” apareceu, então, como a ocasião ideal para concretizar uma experiência compartilhada do início ao fim e, mais do que isso, recuperar uma convivência que a carreira dos dois acabou tornando menos frequente. “A ideia também era aproveitar para ficar mais perto. Foi uma forma de resgatar esse tempo que a gente tinha perdido e poder estar junto de novo”, celebra a cantora.

A retomada dessa convivência tem, para Mart’nália, um sabor de reencontro com o início da própria trajetória. Antes de consolidar o próprio nome na MPB, ela trabalhava na banda de Martinho da Vila como backing vocal e percussionista.

“Estou matando saudade de tudo isso”, ressalta. Aos poucos, a carreira solo, que começou nos anos 1990, a permitiu que encontrasse sua maneira particular de dialogar com a tradição familiar. Os discos “Pé do Meu Samba” (2002) e “Menino do Rio” (2006) ajudaram a ampliar sua projeção nacional e a consolidar sua assinatura dentro do samba.

Embora as comparações com o pai fossem inevitáveis, Mart’nália diz que nunca se sentiu pressionada pela semelhança entre os dois. “Quando um filho decide seguir a mesma profissão de alguém já reconhecido, é natural que as comparações apareçam. Mas eu nunca tive problema em lidar com isso.” conta.

Para ela, tampouco existe uma sucessão a ser cumprida. “Não tem bastão passando, não. Acho que ele passou isso para o Brasil, não exatamente só para mim”, comenta. No show, as vozes se unem para saudar clássicos como “Quem é do Mar não Enjoa”, “O Sino da Igrejinha” e “O Teu Chamego”, mas também se espalham em blocos solos, nos quais cada um desfila o próprio repertório.

Pai e Filha” chega ao Classic Hall, em Olinda, no dia 17 de outubro. Para Mart’nália, a passagem por aqui tem um significado especial, já que Pernambuco remete às viagens que fazia com o pai durante a infância. “É um lugar que ele me ensinou a gostar muito desde pequena”, conta.

Martinho também faz questão de levar referências nordestinas para o setlist, com homenagens a Dominguinhos e Luiz Gonzaga. “É muito bacana poder misturar tudo isso, porque é o Brasil. Meu pai é o Brasil”, diz a cantora. Os ingressos estão à venda na bilheteria da casa e pela plataforma Ingresse a partir de R$ 350.

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