Ana Lisboa e Cacá Mousinho transformam vivências urbanas em linguagem visual em mostras na Arte Plural
Exposições das artistas Ana Lisboa e Cacá Mousinho, em cartaz nesta terça-feira (11) na Arte Plural Galeria, exploram diferentes relações com o urbanismo
Publicado: 11/08/2026 às 06:00
Mostras de Ana Lisboa e Cacá Mousinho são atrações na Arte Plural Galeria (Foto: Divulgação)
As artistas visuais Ana Lisboa e Cacá Mousinho constroem suas pesquisas a partir de diferentes formas de observar e experimentar as cidades. Para Ana, a arquitetura, a paisagem e o ambiente urbano são convertidos em memória e referências para sua produção; já Cacá encontra nas ruas, nos objetos recolhidos e nas relações construídas entre Recife e São Paulo um repertório para falar sobre história e passagem do tempo.
As duas apresentam essas relações nas exposições “Âmago – o íntimo das formas” e “Avesso da Palavra”, que abrem nesta terça-feira (11), a partir das 18h, na Arte Plural Galeria, localizada no Bairro do Recife. A visitação é gratuita e também pode ser feita de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos sábados, das 14h às 18h.
Durante décadas, Ana Lisboa explorou diferentes técnicas, como desenho, pintura, gravura e instalação, para desenvolver a pesquisa. Professora do Departamento de Artes da UFPE, a artista apresenta obras nas quais paisagens, elementos da natureza e estruturas arquitetônicas servem de ponto de partida para explorar linhas, volumes, texturas e movimentos. A seleção tem curadoria de Carlos Newton Júnior. “O fio condutor desses trabalhos seria a experiência vivida e transformada em linguagem visual”, explica Ana.
Depois de viver durante dez anos entre Recife e São Paulo, Cacá Mousinho voltou definitivamente à capital pernambucana em dezembro do ano passado e retoma agora o circuito de exposições individuais. Ela havia participado de duas coletivas, mas a mostra na Arte Plural representa seu reencontro pessoal com a cidade.
Em “Avesso da Palavra”, Cacá retira objetos e materiais de seus usos cotidianos para atribuir novas relações e significados. “Ela encontra nos achados da cidade um campo de experimentação poética e, no encontro, um princípio fundamental de sua investigação”, adianta a curadora Bruna Ferrer.
Entre as obras estão uma instalação feita com antigos tacos de madeira, que já compuseram o chão de uma casa e agora assumem a configuração de uma janela, e uma série em que palavras ouvidas em conversas com amigos são bordadas sobre saquinhos de chá. Os objetos passam, assim, a funcionar como registros de encontros e lembranças.
Para Cacá, a prática artística está diretamente ligada à capacidade de observar e guardar essas experiências. “A arte é uma forma de resolver essas relações, essas memórias e as saudades. Carrego comigo tudo o que ouvi, tudo o que vi e todas as pessoas que passaram pela minha vida e também as que vão chegar”, resume.
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