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De volta ao Recife, Lenine festeja 1º show de inéditas após a pandemia: "O palco é quase minha religião"

Cantor volta a circular pelo Brasil com o show do disco "EITA" (2025). O álbum é o primeiro trabalho de inéditas desde "Em Trânsito" (2018).

Allan Lopes

Publicado: 07/08/2026 às 06:00

Lenine leva

Lenine leva "EITA" aos palcos em show que reúne as faixas do novo trabalho e clássicos de sua carreira (Foto: Tainá Cavalcante)

Moldado pelo clima hostil do mundo exterior, o álbum “Em Trânsito” (2018) se tornou o registro mais cinzento da carreira de Lenine. Para se recuperar desse desgaste, o músico pernambucano encontrou refúgio longe dos palcos e dos estúdios, dedicando-se ao cultivo de seu orquidário.

Nesse intervalo, seguiu ligado à música por meio de colaborações com outros artistas, mas viveu quase uma década sem lançar um disco de inéditas, até ser novamente seduzido pelo desejo de criar. O jejum foi interrompido com “EITA”, álbum lançado no ano passado como parte de um projeto audiovisual e que ganha sua experiência ao vivo neste ano.

A apresentação em Olinda, no Grande Recife, acontece neste sábado (8), às 20h, no Teatro Guararapes. Os últimos ingressos estão disponíveis a partir de R$ 90 na plataforma Cecon Tickets.

A julgar pela alegria com que Lenine falou sobre esse novo momento em entrevista ao Diario, o público o verá tomado por um brilho de quem redescobre um velho amor. “O palco é quase a minha religião. Estar ali, tocando, é como cumprir um rito. Ter reconquistado esse sentimento tem sido muito importante para mim”, celebra.

Diante de tantas conotações possíveis para o título do projeto, este retorno simboliza um “eita” de puro alívio. “Desde o primeiro show, ficou muito claro para mim o quanto foi míope da minha parte achar que poderia viver sem isso”, diz Lenine.

O isolamento começou a ceder graças à intervenção de seu filho e produtor, Bruno Giorgi, que provocou o retorno do pai ao convívio criativo. Essa retomada teve início com participações em estúdio que evidenciaram sua versatilidade, como em “Vida Seca”, gravada com o grupo de heavy metal Angra, e em “Lisboa”, parceria com a dupla Anavitória.

Na sequência, Bruno resgatou o protótipo de “EITA”, que ambos haviam esboçado antes da pandemia. “Quando vi o material, gostei daquilo e foi um passo para as coisas adquirirem outras cores”, relembra. “Por isso, essa volta tem um sabor de recomeço”, completa Lenine.

Além de devolver sua paixão, “EITA” reafirma aos fãs — e ao próprio artista — os motivos que o tornam um dos grandes cronistas da música brasileira, sendo capaz de cantar em primeira pessoa com a expressão mais natural e autoral entre palavras, ritmos e sotaques.

No show, o repertório do disco divide espaço com mais de 20 canções que colocam em perspectiva o caminho percorrido desde a aclamação nacional de “Olho de Peixe” (1993) até este novo capítulo. “Ficou muito coesa a história que estamos contando no encadeamento dessas músicas”, afirma.

No que diz respeito às 11 faixas inéditas, os arranjos originais foram minuciosamente adaptados para a dinâmica ao vivo. A execução fica a cargo de uma banda de peso, que reúne Henrique Albino (sopros), Negadeza (percussão), Gabriel Ventura (guitarra), Pantico Rocha (bateria) e o próprio Bruno Giorgi (baixo), que também conduz a direção do espetáculo. “O que você faz no estúdio é uma coisa; no palco, é outra. As canções precisam ganhar uma nova materialidade para existir diante do público”, observa o cantor.

Dono de um olhar absolutamente singular sobre Pernambuco e tudo o que o envolve, Lenine encara a apresentação no Guararapes como a oportunidade de encontrar um público capaz de compreender as referências que atravessam sua obra, nem sempre traduzíveis em outros estados.

“Existe uma compreensão imediata, porque as palavras que uso, o vocabulário e a maneira de ser estão profundamente ligados às minhas referências. Fazer isso na cidade de origem me dá a certeza de que serei compreendido por inteiro”, afirma Lenine. É também desse território afetivo e musical que vêm algumas das influências que atravessam “EITA”, entre elas Dominguinhos e Naná Vasconcelos.

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