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Recife é soberania cultural, diz Gregório Duvivier ao trazer peça "O Céu da Língua" a Pernambuco

Nesta quarta (29) e quinta-feira (30), Gregório Duvivier leva o espetáculo ‘O Céu da Língua’ ao Teatro Guararapes, no Grande Recife. Monólogo sobre a língua portuguesa é sucesso de público em todo o país

André Guerra

Publicado: 27/07/2026 às 08:05

Gregório Duvivier traz curiosidades sobre a língua portuguesa no elogiado

Gregório Duvivier traz curiosidades sobre a língua portuguesa no elogiado "O Céu da Língua" (Priscila Prade/Divulgação)

O poder da palavra e de suas inflexões vem transformando o espetáculo “O Céu da Língua” em um dos grandes fenômenos de público do teatro dos últimos tempos. Estrelada por Gregório Duvivier e dirigida por Luciana Paes, a peça chega ao Teatro Guararapes, em Olinda, para quatro apresentações, nesta quarta (29) e quinta-feira (30), sempre às 18h e às 20h30. Os últimos ingressos custam a partir de R$ 50, e estão disponíveis no site da Sympla. Mais do que apenas despertar reflexões sobre o estado da humanidade, o projeto vem se expandindo para além do que os próprios realizadores originalmente poderiam prever.

Graduado em Letras pela PUC-RJ, Gregório transita com seu monólogo por curiosidades do idioma, com o senso de humor que o tornou famoso em todo o país. Sozinho em cena, ele utiliza expressões populares brasileiras, memórias afetivas que todos na plateia podem identificar de algum lugar e “erros” linguísticos que se misturam na comunicação. Em turnê com o projeto por dez cidades da região entre julho e agosto, ele aproxima ainda mais a ideia central da musicalidade e da diversidade temática nordestina.

Em conversa com o Diario, Duvivier revela como o texto encontra absoluta ressonância em terras pernambucanas. “É um lugar que aponta muitas direções de uma criação autoral e descolonizada. A arte, o cinema e a política pernambucanos pensam um Brasil autônomo e soberano. Quando penso em Recife, penso em soberania cultural, porque não é só uma cidade que consome uma cultura muito vasta, mas que a produz de maneira única e independente”, enfatiza o ator.

Gregório acrescenta ainda que, muito antes de “O Céu da Língua” falar de poesia popular, os poetas pernambucanos já faziam isso, fortalecendo uma cultura cada vez mais pulsante de texto e musicalidade. “Projetos como ‘Cordel do Fogo Encantado’, que leva multidões às praças para declamar poesia juntas, me encantam profundamente. É um estado em que a poesia sempre uniu pessoas, graças a manifestações espetaculares de arte. É uma terra de vozes autorais interessantíssimas e marcantes”, reforça.

A diretora Luciana Paes considera que o texto vem sendo aperfeiçoado e ganhando força ao longo das muitas apresentações feitas pelo Brasil. “Para nós, essa peça é um instrumento com o qual conhecemos o Brasil. Mesmo que seja incrível passear pelo mundo com ela, tem sido um trabalho de descobrir nosso próprio lugar ou os diferentes estados por meio da linguagem. Ela cria um ponto comum, como se fosse um território de paz”, salienta. “É através da língua que as pessoas revelam como pensam e visualizam o que está à volta delas, e é muito interessante como vem gente de todos os credos e posições políticas assistir à peça. Muitos amam Gregório, mas alguns também o detestam. E todos vêm ouvir o que temos a dizer.”

Colocar a palavra como o centro da discussão e torná-la um ponto comum, corporificado na presença do ator e ilustrado pelas projeções que compõem o espetáculo, é, em “O Céu da Língua”, um motor de construção de novos sentidos. Luciana ressalta ainda como o espaço do teatro segue sendo a mais expressiva ferramenta para exaltar uma mente pensante. “O palco é a maior e mais antiga força da palavra presentificada. Manipular ventos emocionais é uma prática mágica da atuação. Pessoas colocando seus corpos e mentes na frente de outras. Que alta tecnologia que é essa”, celebra a diretora.

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