Do Recife à Copa do Mundo: Criador do Passinho do Jamal celebra sucesso e busca mais reconhecimento
Criado pelo recifense Romero Silva Oliveira, de 26 anos, o Passinho do Jamal saiu das ruas do bairro de Santo Amaro, no Recife, e virou febre até mesmo entre craques que disputam a Copa do Mundo
Publicado: 04/07/2026 às 07:00
Jamal (ao centro) divulga o Passinho do Jamal com o MC Eo Chapa (à direita) e Igor Tafarel (à esquerda) (Karol Rodrigues/DP Foto)
Desde que o Passinho do Jamal explodiu nas periferias do Recife há cerca de um ano, a coreografia passou a estrelar os mais variados tipos de confraternização. Com raízes nos encontros de dança do brega funk, conhecidos como “muvucão”, o movimento criado pelo recifense Romero Silva Oliveira Junior, o famoso Jamal, conquistou a internet e inesperadamente ganhou também o campo de futebol. É lá que jogadores como o brasileiro Endrick, o espanhol Lamine Yamal e a seleção de Cabo Verde comemoram gols e títulos, levando a dança até a Copa do Mundo, que acontece neste mês.
“É o maior evento do mundo, e aí você vê as pessoas fazendo algo que você criou e o público te mencionando. Isso é muito bom”, celebra Jamal, de 26 anos, em entrevista ao Diario. O artista encontrou a reportagem na última quinta-feira (2), na comunidade do Campo do Onze, em Santo Amaro, acompanhado pelo MC Eo Chapa e Igor Tafarel, que produzem músicas e vídeos de dança com ele. Por onde passava, o trio atraía olhares curiosos, especialmente de jovens e crianças que se inspiram no seu sucesso. Entre eles, um estudante vestido com a farda da rede pública estadual veio mostrar a prova de matemática que tinha acabado de fazer com uma questão sobre o Passinho do Jamal. “Virou cultura!”, atestou Jamal, feliz.
Chapa revela que muita coisa mudou para a “Tropa do Jamal” desde que o brega funk “Toma Botada”, do qual é um dos autores, chegou ao Top 3 Virais do Spotify por conta da dança, em outubro do ano passado. “Antigamente o pessoal olhava para o Passinho do Jamal como um meme. Após esse ano passar, a repercussão aumentou e ele virou cultura, criou raízes na comunidade. A gente conseguiu uma equipe para cuidar da nossa carreira e olham para a gente como os artistas da comunidade, os meninos que revolucionaram o brega funk”, explica ele, que largou o trabalho de servente de pedreiro para se dedicar às suas criações, assim como Jamal, que já foi entregador de água.
Para completar o profissionalismo, o MC agora também tem estúdio próprio, montado em casa, no seu próprio quarto. “Vou estudar para ser o dono dos meus próprios beats. Futuramente, a gente vai construir a TJ no Beat ou a TJ Produtora (Tropa do Jamal Produtora), para a gente não precisar contratar DJs para fazer música para a gente e não correr o risco de ser roubado na porcentagem dos créditos”, diz Chapa.
RECONHECIMENTO
A preocupação com a autoria não vem à toa. Depois de ser visto até mesmo na coreografia de músicos da banda de kpop BTS e de grupos folclóricos das Filipinas, o Passinho do Jamal passou a ser atribuído equivocadamente a um influenciador carioca recentemente. “Em parte, sou grato às pessoas que estão fazendo o passinho e espalhando algo que criei. Por outro lado, quando vi que estão dizendo que é de outra pessoa, me chateei”, comenta Jamal, que vem trabalhando para desfazer o engano. “Eu só quero usufruir do que eu criei”, completa.
Jamal contou ao Diario em outubro de 2025 que a base da criação do passo foram movimentos que vinham dos bregas funks "das antiga". “Eu venho fazendo esse passinho há uns anos anos. Comecei na época de Boca Ratão, ele fazia um outro passinho que era só com os pés: dois prum lado e dois pro outro. Pensei em inovar e coloquei a parte das mãos”, descreveu a origem da sua inspiração na ocasião.
Em um exercício rápido, o artista, que hoje acumula 533 mil seguidores no Instagram, avalia que já poderia ter bem mais de um milhão se fosse sempre devidamente creditado. No entanto, esses contratempos não o desanimam. “Tem muita que usa o meu passinho e tem também que abusa da fé da gente, que passa por cima. Mas acredito que Deus está no controle de tudo e o que tiver de ser da gente vai ser”, avalia ele.
Para conquistar ainda mais reconhecimento, Jamal e os amigos querem continuar fazendo brega funk, dança e humor para as redes sociais. Os desejos atuais ainda há também a esperança de ver a seleção brasileira campeã na Copa. “O Brasil vai ganhar da França na final, eu creio! Vai ter gol de Endrick e vai ter passinho também”, aposta Igor Tafarel.