Morre, aos 60, Monica Fontana, comunicadora que ajudou a formar jornalistas pernambucanos
Natural de São Paulo e radicada no Recife, ela coordenou o curso de Jornalismo da Aeso Barros Melo por seis anos e integrou o círculo do Movimento Manguebeat
Publicado: 29/06/2026 às 22:24
Jornalista e professora universitária, Monica Fontana era também especialista em linguagem e sociedade (Angela Prysthon/Cortesia)
O jornalismo e a academia pernambucanos perderam, nesta segunda-feira (29), Monica Fontana, aos 60 anos. Natural de São Paulo, a jornalista e professora universitária radicada no Recife descobriu um câncer em estado avançado em dezembro de 2025.
Formada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde se especializou em linguagem e sociedade, Monica Fontana contribuiu com o jornalismo pernambucano, formando diversos profissionais.
Como docente, atuou nos centros universitários Joaquim Nabuco, no Recife, e Aeso Barros Melo, em Olinda — campus que encerrou suas atividades no último dia 25 —, onde coordenou o curso de Jornalismo por seis anos, entre 2010 e 2016.
Monica era irmã da professora e ativista política Simone Fontana, que já concorreu à Prefeitura do Recife e ao Governo de Pernambuco pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).
Seu velório será realizado no Memorial Guararapes nesta terça-feira (30), das 8h às 11h.
Memória
Monica foi casada com o designer, cantor e compositor Hélder Aragão, o DJ Dolores, por cerca de dez anos. Amigos até o fim de sua vida, a jornalista é mencionada em uma das dedicatórias do livro “Lugares Para Chorar no Recife e Outros” (Seja Breve, 2025).
Integrante do Movimento Manguebeat, DJ Dolores comenta a presença da jornalista na turma e recorda uma foto no apartamento de Chico Science. “Monica foi uma das pessoas que participaram de tudo naquela época. Ela e outras mulheres”, aponta.
“Parece que a história vai deixar apenas essa memória de cantores e instrumentistas, quando havia outras mulheres na turma pensando essa coisa do Manguebeat, filosofando sobre essa possibilidade”, registrou o artista.
Declarações
Colegas de trabalho e amigos lamentaram sua perda. “Mônica era uma pessoa e uma profissional muito rara. Dessas que são éticas, fortes e doces ao mesmo tempo”, declarou a jornalista e professora universitária Nataly Queiroz ao Diario.
“Com cordialidade e firmeza, Monica sempre encontrava uma maneira generosa de contribuir”, destacou a jornalista e docente Carol Cavalcanti. “Dava orientações que revelavam o profundo comprometimento com a formação dos estudantes.”
O jornalista de rádio Marcos Araújo, principal voz das chamadas da Globo Recife e professor de radiojornalismo, expressou consternação. “Estou chocado com a notícia. Não sei o que dizer. Só posso lamentar muito”, escreveu.
Amiga há mais de 40 anos, a jornalista Angela Pryston confirmou, com tristeza, o falecimento nesta manhã. “Estava junto à família, que cuidou dela com amor até o final. Ela amava literatura, quadrinhos e música. Escrevia lindamente”, declarou.