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ESPETÁCULO

Peça sobre artista que deu vida à drag queen Vera Verão, ícone dos anos 1990, chega ao Recife

Caixa Cultural Recife recebe temporada do espetáculo que traz narrativa fictícia permeada de fatos verídicos da trajetória do artista que popularizou personagem Vera Verão

Diario de Pernambuco

Publicado: 25/06/2026 às 06:00

 /Foto: Rai do Vale

(Foto: Rai do Vale)

Episódios reais da vida do saudoso ator e comediante brasileiro Jorge Laffond (1952-2003) inspiraram o espetáculo Jorge pra sempre Verão, que chega à Caixa Cultural Recife nesta quinta-feira (25) e segue em temporada na capital pernambucana até 4 de julho. Explorando a trajetória do artista para além da personagem Vera Verão, que lhe deu fama nacional, a peça — que está com ingressos disponíveis no site Sympla entre R$ 15 e R$ 30 — constrói uma narrativa ficcional que amplia o diálogo sobre memória, representatividade, arte e diversidade.

O espetáculo passou por São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, chegando pela primeira vez ao Recife. A direção é de Rodrigo França e, no elenco, estão Alexandre Mitre, Aline Mohamad e Aretha Sadick.

A dramaturgia, que parte de experiências individuais para refletir sobre questões mais complexas, nasceu de uma carta escrita por Aline ao primo, falecido precocemente aos 51 anos. Temas relacionados a racismo, homofobia e pertencimento são abordados no projeto, que conta ainda com sessões acessíveis em Libras aos sábados e dois encontros especiais entre artistas e público após as sessões dos dias 26 de junho e 3 de julho.

A autora relembra que o que começou como um exercício íntimo de elaboração afetiva se tornou sua primeira obra teatral, escrita em parceria com Diego do Subúrbio. “Um dia, ao voltar de uma festa em que me vi atraída por uma travesti, escrevi uma carta. Nela, um pedido de desculpas, uma redenção, uma luz sobre os diversos vínculos que tenho com meu primo Jorge Laffond”, conta. “Enviei-a para alguns amigos e, ao acordar, li as respostas: ‘você tem uma linda peça nas mãos’. E assim percebi que a única forma de eu encontrar meu primo seria através da arte”, completa Aline Mohamad.

“Estamos falando de um homem negro retinto, afeminado, com mais de dois metros de altura e vestido de mulher na televisão brasileira. Nele havia mais do que talento; havia estratégia, inteligência e coragem”, observa Rodrigo França. “Ao recuperar sua trajetória, o espetáculo propõe uma reflexão sobre os mecanismos de exclusão ainda presentes na sociedade brasileira, mas sem abrir mão da esperança”, acrescenta o diretor, reforçando que o teatro também pode ser um espaço de cura.

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