Segundo disco de Dorea escancara intimidade entre melodias de violão e riffs de guitarra
No disco "O Que Mais Você Quer de Mim?", o cantor baiano Dorea fala em primeira pessoa sobre dilemas compartilhados com o público, convidando o ouvinte a mergulhar nas emoções através de sua música
Publicado: 06/03/2026 às 06:00
Músico baiano Dorea se relaciona de forma mais íntima com o público em "O Que Mais Você Quer de Mim?" (Foto: Jamile Costa/Divulgação)
Na vida, tem respostas que só a música encontra. Foi em busca delas que o cantor e compositor baiano Dorea criou “O Que Mais Você Quer De Mim?”, seu segundo álbum, já disponível em todas as plataformas digitais (ouça aqui). Aos 40 anos, o artista resolveu escancarar as próprias portas como nunca antes e apresenta ao público seus desejos, amores, inseguranças e medos, tudo embalado por uma sonoridade que lembra o conforto da própria casa.
Em “Grande Coisa”, seu primeiro disco, Dorea transformou angústias da pandemia em canções aflitas. Mas “eu” e “você” eram palavras que não apareciam. Agora, no novo projeto, ele finalmente as assume e planta no público, e talvez em si mesmo, as primeiras respostas. Só que, nesse álbum, responder é também ter mais dúvidas. Na faixa que dá título ao trabalho, o artista canta: “Você me pergunta por que fico assim / Não sei lhe dizer / Eu não me entendo e nem pretendo / Não quero saber”.
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A partir dessa composição, Dorea reconheceu que uma canção não seria suficiente para dar conta dos sentimentos confusos que carregava. “Depois que fiz essa música, percebi: não precisava mais falar do mundo. Precisava falar de mim”, explica o músico em entrevista ao Diario. Em meio a esse processo de redescoberta pessoal, o disco não oferece respostas prontas sobre quem é o cantor nem grandes significados da vida. Em vez disso, estende a mão para o ouvinte mergulhar junto. E quem sabe, nessa imersão, também se redescubra.
O emaranhado de emoções que costura as 11 faixas revela ainda um Dorea que se relaciona com o outro de forma romântica. Faixas como “Mais Que Dois” e ‘Essa Pressa” traduzem as frustrações e os mistérios que tornam o amor tão belo quanto complexo. “Quando a gente fala de si, fala de tudo. Inclusive relações amorosas. As que acontecem, as que não acontecem, as que não dão certo. E na memória afetiva da música brasileira, amor é o tema principal. Então é legal estar dentro disso.” diz.
Musicalmente, Dorea aposta em arranjos que trazem o aconchego de violões, clarinetes e clarones, mas também tensiona em alguns momentos com os riffs marcantes do guitarrista Junix, do Baiana System. O resultado é um disco com identidade híbrida que vai do grito ao sussurro, várias vezes na mesma faixa. A influência do “Clube da Esquina” aparece aí, sobretudo na melodia. “Muita gente me compara com Milton Nascimento nesse sentido. Fico lisonsejado”, celebra ele.
Com uma indústria musical cada vez menos inspirada, povoada por releituras e remasterizações, o intimismo autoral de “O Que Mais Você Quer Saber de Mim?” surge como uma luz. O álbum carrega os valores que Dorea cultiva desde os tempos em que comprava encartes para garimpar novos compositores e, mais tarde, tentava criar as próprias canções, sozinho, com seu violão. “Para mim, música e arte estão ligadas a fazer minhas próprias canções”, afirma o cantor.