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MAPEAMENTO

Pesquisa revela que maioria das orquestras de frevo não possuem sede fixa

Estudo inédito da Quaest em parceria com Youtube mapeou 322 grupos musicais espalhados em Olinda e no Recife

Allan Lopes

Publicado: 11/02/2026 às 17:30

Orquestra Henrique Dias na MIMO 2025/Foto: Marina Torres/DP Foto

Orquestra Henrique Dias na MIMO 2025 (Foto: Marina Torres/DP Foto)

Um estudo inédito realizado pela Quaest em parceria com o YouTube mapeou pela primeira vez o universo das orquestras de frevo de Recife e Olinda. Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, os pesquisadores realizaram entrevistas presenciais com maestros, maestrinas e músicos. O resultado é um retrato detalhado da estrutura, do perfil social e da geografia da maior manifestação cultural do estado. 

Foram identificados 322 grupos musicais em atividade. Desses, 46 orquestras em formato tradicional, com formação instrumental consolidada e liderança centralizada em um maestro ou maestrina, foram validadas pelos próprios entrevistados como o núcleo central do frevo pernambucano.

Mapa interativo

Um dos principais produtos da pesquisa é o Mapa da Geografia do Frevo, plataforma interativa que reúne 35 locais citados pelos músicos como espaços de ensaio, apresentação, sedes de agremiações e pontos de relevância simbólica.

O Recife Antigo e o Sítio Histórico de Olinda concentram a maior parte das ocorrências. A maioria das orquestras, no entanto, não possui sede própria e depende de espaços emprestados ou temporários. Foram localizados 20 locais de ensaio, mas excluídos do mapa por serem instáveis.

O mapa está disponívelneste link e permite ao usuário filtrar por categorias e contribuir com novos pontos.

Mapa interativo apresenta geografia cultural do ritmo  - Foto: Reprodução
Mapa interativo apresenta geografia cultural do ritmo (crédito: Foto: Reprodução)

Perfil: homens, negros e acima de 40 anos

A pesquisa revela o perfil predominante dos músicos de frevo, que são homens, pretos ou pardos, com mais de 40 anos, de classes populares ou médias.

A participação feminina ainda é restrita. Mulheres atuam majoritariamente como passistas e cantoras, não como instrumentistas. Há quatro orquestras auto-organizadas por mulheres — a primeira, criada há 20 anos; a mais recente, fundada anos depois, o que indica descontinuidade. As maestrinas ouvidas afirmam que a baixa presença feminina não é natural, mas resultado de exclusão histórica.

O estudo também aponta predominância de músicos negros e pardos, reconhecida pelos entrevistados como "a cara do povo" e reflexo da demografia local e da origem do frevo.

Formação

A pesquisa identificou o Grêmio Musical Henrique Dias, em Olinda, como principal instituição formadora. Segundo estimativa de um dos entrevistados, entre 80% e 85% dos maestros em atividade no município passaram pela entidade como alunos ou professores.

Projetos sociais e escolas de música são a porta de entrada para músicos de áreas periféricas. A "prova definitiva" de formação, porém, é a performance de rua.

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